Arquivamento de Investigação Contra Vice-Governador de SP é Decidido pelo Ministério Público após Denúncias de Lavagem de Dinheiro e Offshore em Andorra.

Ministério Público de São Paulo Arquiva Investigação Sobre Vice-Governador

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) decidiu arquivar um pedido de investigação contra o vice-governador Felício Ramuth (MDB) e sua esposa, Vanessa Piovesan Ramuth. A decisão ocorre em meio a um contexto complexo que envolve uma cooperação internacional entre o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a Justiça de Andorra. O casal é alvo de apurações que investigam supostos crimes de lavagem de dinheiro envolvendo uma conta bancária no principado europeu.

De acordo com informações que circularam na imprensa, uma conta de AdBank, aberta pelo casal, apresenta um saldo de US$ 1,6 milhão, levantando suspeitas de que os valores estejam ligados a um esquema de lavagem de dinheiro. As autoridades europeias relataram que os recursos teriam origem em uma offshore situada no Panamá, passando por uma conta no banco Safra, em Luxemburgo, antes de serem depositados em Andorra.

O deputado estadual Paulo Fiorilo (PT-SP) foi quem formalizou o pedido de investigação, alegando a necessidade de averiguar a origem dos fundos, especialmente pelo fato de Ramuth ter exercido a função de secretário de Transportes de São José dos Campos durante o período em que a conta foi aberta. Fiorilo argumentou que a quantia sustenta indícios de improbidade administrativa e ilícitos civis, considerando a posição pública ocupada pelo vice-governador.

O desenrolar da investigação indica que a conta foi criada em 2019, e o relatório da Unidade de Inteligência Financeira de Andorra (Uifand) sugere que existem indícios de “branqueamento de capitais”. Inclusive, um gestor da conta, Nilton Breinis, foi mencionado nas investigações. Em resposta à solicitação, Ramuth e sua esposa prestaram depoimentos na Europa em 2025, defendendo-se e garantindo que os recursos foram obtidos antes de seu envolvimento na política, atribuindo a origem do dinheiro à empresa Visio Corporation LTD S.A., registrada em nome de Vanessa em 2009.

Em declarações feitas ao MPSP, Ramuth caracterizou a denúncia de Fiorilo como “fantasiosa e politiqueira”, argumentando que a offshore pertencia exclusivamente à esposa, a qual, segundo ele, não é agente pública e não deveria ser alvo de investigações. A defesa do vice-governador também apresentou documentos que atestam sua separação total de bens e a declaração da conta e da empresa à Receita Federal e ao Banco Central do Brasil.

Outro ponto destacado por Ramuth foi a temporalidade do caso, mencionando que a abertura da conta e as movimentações financeiras ocorreram entre 2009 e 2011, o que, segundo ele, já teria ultrapassado o prazo de prescrição estabelecido pela Lei de Improbidade Administrativa.

Após a análise dos argumentos apresentados, a promotora Cintia Marangoni optou pelo arquivamento da denúncia. No entanto, o deputado Paulo Fiorilo anunciou que pretende recorrer da decisão, mantendo o tema em pauta na esfera pública.

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