Antes de iniciar escavações físicas, os especialistas desenvolveram um metódico mapa geofísico da área, permitindo visualizar o que se encontra subsuperficialmente. Isso é essencial especialmente considerando a alta umidade do solo e a proximidade das águas subterrâneas, que tornam escavações aleatórias um risco potencial. A cidade de Buto, historicamente conhecida como Tell el-Fara’in, é um sítio com várias camadas históricas, onde novas construções foram erguidas sobre as antigas ao longo de milênios, gerando um complexo estratificado e riquíssimo em significados.
Para a análise do solo, os arqueólogos utilizaram o sistema de radar Sentinel-1, que é capaz de escanear o solo até a profundidade mencionada. Os resultados revelaram uma estrutura de tijolos de barro de aproximadamente 25 por 20 metros, construída sobre uma base especialmente preparada. Isso sugere não apenas um planejamento racional, mas também habilidades avançadas em engenharia para a época.
Em escavações subsequentes, a equipe encontrou não apenas fragmentos da construção, mas também valiosos artefatos religiosos, como amuletos representando divindades egípcias, incluindo Ísis e Hórus. Esses achados indicam fortemente que a estrutura tinha uma importância religiosa, possivelmente servindo como um templo, um local de residência de sacerdotes ou um complexo funerário.
Os arqueólogos ressaltaram que o triunfo dessa empreitada reside mais nas técnicas aplicadas do que nos objetos encontrados. O uso combinado de sensoriamento remoto por satélite e técnicas geofísicas possibilita o mapeamento de paisagens enterradas, o que permite escavações mais direcionadas e, por consequência, diminui custos e impactos negativos ao meio ambiente. Essa abordagem inovadora pode transformar a forma como a arqueologia é conduzida no futuro, destacando a importância da tecnologia na busca por responder a mistérios do passado.






