Dentre os principais elementos que contribuem para essa queda, destaca-se o aumento acentuado nos preços da carne, que subiram mais de 60% apenas no último ano. Essa elevação no custo está intimamente ligada à produção pecuária, que tem enfrentado importantes desafios. A redução na oferta de carne é, em parte, resultado de questões ambientais e dificuldades na cadeia produtiva, afetando a disponibilidade desse alimento tão tradicional na dieta argentina.
Outro fator crucial para a diminuição do consumo é a perda do poder aquisitivo da população. Os salários têm crescido a um ritmo inferior à inflação, o que tem dificultado a compra de produtos básicos, como a carne. Com a queda no consumo interno, a Argentina, paradoxalmente, ampliou suas exportações de carne. No primeiro trimestre de 2026, as vendas externas cresceram 54%, ultrapassando a marca de um bilhão de dólares (aproximadamente R$ 5,06 bilhões). Essa expansão se deu após a flexibilização das restrições e o aumento da demanda no mercado internacional.
Além disso, em tempos de crise, iniciativas inovadoras também estão surgindo. Em algumas regiões, como a Patagônia, já se observa uma adaptação do mercado, incorporando produtos menos convencionais, como a carne de burro, que vem ganhando espaço entre os consumidores.
Esse cenário reflete uma situação complexa, onde, apesar das dificuldades enfrentadas pela população, o mercado externo se configura como um caminho para manter a economia ligada à pecuária em movimento. A realidade sugere que, enquanto os argentinos se adaptam a um novo contexto econômico, o futuro da indústria da carne do país precisará de reavaliações estratégicas para atender à demanda interna ao mesmo tempo em que satisfeita o mercado externo.




