O especialista em relações internacionais Pedro Kilson alerta que essa iniciativa pode gerar tensões significativas entre Argentina, Brasil e Uruguai, que fazem parte da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas). Ele enfatiza que a presença dos EUA pode prejudicar canais de comunicação e a cooperação entre esses países, resultando em possíveis isolamentos ou desestabilização nas relações multilaterais.
Adicionalmente, Kilson aponta que a tendência para uma maior militarização na política interna dos países sul-americanos pode se intensificar. O recente discurso do presidente brasileiro Lula, que defendeu investimentos em defesa nacional, é um indicativo de que o Brasil pode estar se preparando para respostas estratégicas frente a um cenário regional em transformação. Essa militarização, segundo o analista, pode levar a uma ênfase na defesa individual dos Estados em detrimento da colaboração mútua.
Outro ponto levantado é que os investimentos do governo norte-americano na Argentina provavelmente conduzirão a uma dependência acentuada, tanto militar quanto política. O acordo é descrito como assimétrico, visto que envolve nações com capacidades e interesses dissonantes. Embora a Marinha argentina possa se beneficiar materialmente dos investimentos, isso não elimina o risco de um aumento da dependência em relação aos EUA, que pode enfraquecer a indústria de defesa local.
Além disso, a ameaça de um aumento do controle militar dos EUA na América do Sul, sob o pretexto do combate ao narcotráfico, destaca a necessidade urgente de os países da região se adaptarem a essa nova realidade. Essa situação implica que nações com posturas distintas ao alinhamento argentino podem se encontrar em situações difíceis, necessitando redefinir suas políticas externas e de segurança.
O quadro atual se complementa por eventos recentes que exacerbaram a tensão na região, como o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, que reabriu discussões sobre a soberania nacional e a influência dos EUA nas questões latino-americanas. Em meio a esse cenário volátil, a trajetória futura das relações entre esses países e a resposta aos interesses americanos permanecerão cruciais para a segurança e estabilidade no Atlântico Sul.





