Imagens mostram um menor sendo imobilizado com pistola de choque. Sete manifestantes foram levados para delegacia após confronto com GMs.

Os estudantes apreendidos pela Guarda Municipal durante protesto em Campinas (SP) contra a reforma no ensino médio proposta pelo governo federal foram liberados por volta das 16h30 após serem ouvidos na 2ª Delegacia Seccional de Campinas, segundo o advogado que defende os manifestantes, Rodrigo Mingoci. Eles serão ouvidos na quarta-feira pelo Ministério Público e dois deles passarão por exames no IML (Instituto Médico Legal).
O advogado diz que eles responderão por atos infracionais, já que cinco são menores e não podem ser penalizados judicialmente. O único maior de idade levado para a delegacia, que seria professor, não foi indiciado. Os guardas acusam os menores de praticarem danos a uma viatura da GM, de lesão corporal e furto de uma blusa.
Os estudantes dizem que os guardas agiram de forma violenta e dois dos manifestantes chegaram a ser atingidos por armas de imobilização. Imagens feitas durante a manifestação mostram um estudante sendo dominado, aparentemente com o uso de uma pistola de choque.
“Eles escolheram os alvos de forma aleatória e agiram de forma truculenta”, diz o advogado. Ele disse que vai esperar pelos resultados dos exames no IML para definir qual será o procedimento a ser tomado judicialmente contra os guardas.
A GM de Campinas divulgou nota oficial dizendo que “os rapazes, que se mostraram agressivos, de forma a colocar em risco a integridade física de terceiros, além da sua própria, precisaram ser contidos pelos guardas que se utilizaram dos equipamentos de segurança e uso progressivo da força, como determina a lei.”
Um dos manifestantes também é acusado de furtar uma blusa. Segundo a GM, a vítima compareceu à delegacia para prestar queixa contra o acusado. O advogado nega e diz não haver qualquer prova contra seus clientes.
Ocupações
Essa não é a primeira manifestação em Campinas que termina em apreensão de menores. No dia 11 de outubro, estudantes ocuparam a Escola Estadual Newton Pimenta Neves durante dois dias contra a retirada de matérias como artes, filosofia, sociologia e educação física da grade obrigatória do ensino médio.
Na última quinta-feira (13), a Polícia Militar realizou a desocupação do colégio. Os alunos foram apreendidos e levados para a 2ª Delegacia Seccional da cidade, onde ficaram detidos dentro de um ônibus da PM durante algumas horas.A Secretaria da Educação do Estado explicou na ocasião que a desocupação ocorreu de forma pacífica, “após reiteradas tentativas de diálogo com os estudantes que protestavam na unidade de ensino.”
O pacote de mudanças na grade do ensino médio foi anunciado pelo governo do presidente Michel Temer (PMDB) em setembro e gerou uma série de protestos pelo país.
g1
18/10/2016





