O levantamento, que envolveu 2.004 entrevistados em 139 cidades, constatou que o núcleo de apoio ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro continua majoritariamente leal, apesar do desgaste que o episódio pode ter causado. As revelações sobre o pedido de recursos a Vorcaro, que está preso e foi líder de uma instituição financeira ligada a um dos maiores escândalos do setor no Brasil, foram um dos pontos centrais da crise. Flávio inicialmente negou as acusações, mas posteriormente confirmou a solicitação de financiamento e o encontro com o empresário após sua detenção.
O estudo também mostrou que 72% dos apoiadores de Flávio estão cientes do caso, superando a média da população geral. Embora esses números sugiram um entendimento da situação, apenas 38% dos eleitores afirmam estar bem informados. Curiosamente, a confiança na figura de Flávio manteve-se relativamente intacta entre sua base. Para 73% dos candidatos do senador, a integridade dele não foi afetada. Um número expressivo, 54%, reconheceu a proximidade de Flávio com Vorcaro, enquanto 53% dos apoiadores aprovaram o pedido de financiamento ao banqueiro.
Contudo, quando explorados os dados do eleitorado geral, a percepção é bem diferente. Entre todos os entrevistados, 48% acreditam que Flávio deveria ter retirado sua candidatura, e 64% consideram sua conduta inadequada. Mesmo assim, a lealdade de sua base reflete em um suporte contínuo que poderá ser crucial para sua manutenção na disputa.
Embora a fidelidade interna seja evidente, as consequências no cenário eleitoral são palpáveis. Nas simulações para o primeiro turno, Flávio viu suas intenções de voto caírem de 35% para 31%. No segundo turno, a perda foi menor, com a queda de 45% para 43%. Em contrapartida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve uma leve alta, aumentando de 38% para 40% nas intenções de voto do primeiro turno.
A pesquisa ainda avaliou alternativas para o caso de Flávio não permanecer na disputa. Michelle Bolsonaro emergiu como a principal substituta, com 60% dos apoiadores de Flávio indicando-a como a melhor escolha. Com isso, Eduardo Bolsonaro e os governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado também foram mencionados como possíveis candidatos, mas com percentuais menores.
Este cenário evidencia não apenas a complexidade da situação atual, mas também a resiliência do bolsonarismo e a bênção da lealdade em tempos de crise, onde a figura de Jair Bolsonaro ainda detém um considerável respaldo entre seus eleitores.
