Aos 73 anos, Carlos Adão, o icônico artista que estampou seu nome em muros de SP, morre e deixa legado polêmico na arte urbana.

Carlos Adão, conhecido por eternizar seu nome em muros e ruas da Grande São Paulo, faleceu neste sábado, 8 de outubro, aos 73 anos. Sua trajetória, marcada pela singularidade de sua expressão artística, gerou polêmica ao longo das décadas. Embora tenha rejeitado os rótulos de grafiteiro ou pichador, suas intervenções nos espaços públicos sempre despertaram reações variadas, devido à falta de autorização para a maioria delas.

A notícia de sua morte foi confirmada pelo vereador Carlinhos do Leme, presidente da Câmara de Taboão da Serra, onde Carlos decidiu residir nos últimos anos. Em tributo ao artista, Leme enfatizou a importância de Carlos Adão na história local, observando que seu nome estava presente em diversos lugares, tornando-se uma referência reconhecida pela população.

Carlos Alberto Adão nasceu em 18 de outubro de 1954, no Butantã, São Paulo. Seu percurso artístico começou na década de 1990, quando começou a pintar seu nome em muros, frequentemente acompanhado por mensagens que refletiam sua visão de vida. Ele afirmava que sua marca transcendia a sua própria identidade e que ela representava um movimento cultural significativo.

Aos 52 anos, após conhecer a comunidade de grafiteiros, incluindo o artista Mundano, sua abordagem evoluiu, incorporando desenhos e expresso uma nova perspectiva sobre arte urbana. Carlos anunciou que havia realizado mais de 100 mil intervenções em diversas cidades do Brasil, comparando sua prática à de um assassino que marca cada ato em seu instrumento.

A notoriedade de Carlos Adão também se estendeu ao mundo da arte formal. Sua primeira exposição, intitulada “Carlos Adão É Arte”, ocorreu em 2010 e foi organizada por Mundano, promovendo um diálogo com o público sobre sua abordagem única, que ele mesmo definia como uma forma de criar uma “televisão primitiva” para aqueles que transitavam pela cidade.

Com o passar do tempo, ele tentou se engajar na política, disputando cargos em eleições, e incorporando seu nome e propostas em suas intervenções urbanas. Faixas de sua autoria, como “Carlos Adão: A seleção de 70 foi 10”, foram vistas por munícipes, assim como sua participação na mídia, incluindo programas e documentários que documentaram sua vida e arte.

Carlos Adão deixa um legado complexo, dividido entre a arte, a provocação e uma busca incessante por reconhecimento, que continua a ressoar nas ruas e corações dos que viveram e andarão por São Paulo.

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