Belo Horizonte – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a apreensão de todos os produtos alimentícios fabricados pela Capsul Brasil Indústria e Comércio S.A., localizada em Arcos, no Centro-Oeste de Minas Gerais. A decisão, divulgada na última quarta-feira, proíbe não apenas a fabricação, mas também a comercialização, distribuição, propaganda e uso de qualquer item produzido pela empresa. Essa medida é um desdobramento da recente Operação “Casa de Farinha”, deflagrada em 25 de março, que já havia levantado preocupações sobre a função da Capsul no mercado de suplementos alimentares.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) confirmou que o inquérito sobre o caso continua ativo, com novas oitivas em andamento, e a empresa permanece interditada. A nova resolução da Anvisa revoga uma determinação anterior mais branda e visa intensificar as ações contra as irregularidades detectadas nas inspeções sanitárias, que apontaram graves transgressões nas práticas de produção da empresa.
A Operação “Casa de Farinha” foi um esforço conjunto entre o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Minas Gerais e diversas entidades, incluindo o Ministério Público e a Vigilância Sanitária estadual. As investigações revelaram um esquema criminoso que fabricava suplementos em condições inadequadas, com falta de controle de qualidade e produtos que não apresentavam os princípios ativos divulgados nas embalagens. Além disso, a empresa é acusada de prometer curas milagrosas para diferentes condições de saúde.
Outro aspecto alarmante apresentado nas investigações foi a descoberta de uma fraude tributária sofisticada. As vendas dos produtos eram disfarçadas em notas fiscais como “e-books” ou “livros eletrônicos”, permitindo a sonegação de aproximadamente R$ 100 milhões em impostos. A operação resultou ainda no bloqueio de bens avaliados em mais de R$ 1,3 bilhão, incluindo veículos de luxo e outros itens valiosos.
Os empresários à frente da Capsul — de 29 e 35 anos — foram detidos temporariamente, e suas vidas de ostentação, reveladas em redes sociais, contrastam fortemente com as práticas ilícitas da empresa. Enquanto adotavam um estilo de vida luxuoso, com viagens internacionais e aquisição de bens exorbitantes, eles venderam cursos e e-books que prometiam ensinar outros a replicarem o seu modelo. Um dos sócios tem antecedentes por violência doméstica, e o outro, por crime eleitoral.
Com a intervenção da Anvisa, todos os produtos da Capsul disponíveis no mercado devem ser recolhidos, visando a proteção da saúde pública. A Polícia Civil continua coletando informações para fortalecer as investigações, que prometem impactos tanto na área criminal quanto na sanitária nos próximos meses. A situação certamente continuará a se desdobrar, refletindo a complexidade e a gravidade das irregularidades encontradas.






