Tradicionalmente, a Anvisa dependia de notificações voluntárias de médicos e pacientes para identificar eventos adversos. No entanto, a nova abordagem busca uma coleta sistemática de informações em colaboração com instituições de saúde. Segundo Thiago Lopes Cardoso Campos, um dos diretores da Anvisa, essa estratégia é uma resposta ao aumento significativo no uso desses medicamentos e ao crescimento das complicações associadas, que, entre 2018 e março de 2026, totalizaram 2.965 notificações, especialmente relacionadas ao uso da semaglutida.
O diretor enfatizou que, embora esses medicamentos tragam benefícios comprovados, seu uso tem se espalhado para além das indicações aprovadas, muitas vezes sem a supervisão clínica adequada. Tal prática não apenas pode resultar em efeitos colaterais graves, mas também alimenta a circulação de produtos falsificados e manipulações inadequadas, o que representa um risco sanitário significativo. As vendas ilegais desses medicamentos são um crime previsto pelo Código Penal.
Além disso, a nova medida é uma extensão de um plano de ação mais amplo, focando no monitoramento pós-venda e no fortalecimento das iniciativas de farmacovigilância. O sucesso desse monitoramento requer a colaboração de instituições que integram a Rede Sentinela, que inclui hospitais universitários e serviços de saúde em todo o Brasil.
Campos ressaltou a importância da parceria com a Polícia Federal para coibir a venda ilegal desses medicamentos e enfatizou que a adesão de outros hospitais à iniciativa é fundamental. Ele ainda lembrou que riscos raros e tardios podem se manifestar apenas na fase pós-comercialização, tornando indispensável um acompanhamento cuidadoso.
Leandro Safatle, presidente da Anvisa, reforçou a urgência de uma ação coordenada e vigilante da agência. Ele destacou que a abordagem ativa na farmacovigilância é crucial para detectar precocemente eventos adversos, permitindo que a Anvisa avalie os riscos associados a esses medicamentos de forma eficaz e responsável. A sociedade, segundo Safatle, não deve permitir que o entusiasmo com novas opções terapêuticas ofusque os riscos potenciais do uso indiscriminado.





