A secretária-geral da Anistia, Agnès Callamard, destaca que os predadores políticos e econômicos estão, na verdade, ameaçando a sobrevivência do sistema multilateral. Segundo ela, essa deterioração não é consequência de uma ineficácia inerente ao sistema, mas sim de um esforço deliberado para que ele não funcione em prol da hegemonia de determinados países.
O relatório critica Israel por continuar perpetuando um “genocídio” contra a população palestina em Gaza, apesar do cessar-fogo acordado em outubro de 2025. A organização condena o apartheid praticado contra os palestinos e a expansão dos assentamentos ilegais na Cisjordânia. Para a Anistia, a situação é ainda mais preocupante pelo fato de as autoridades israelenses incentivarem ataques a civis palestinos.
Nos Estados Unidos, a Anistia denuncia a realização de ações violentas, incluindo mais de 150 execuções extrajudiciais e bombardeios em várias regiões, além de ações agressivas contra a Venezuela. O uso inadequado da força por essas nações, particularmente em relação ao Irã e à situação no Líbano, gera consequências devastadoras não apenas para os envolvidos nos conflitos, mas também para a população civil como um todo.
A realidade na Europa também se revela sombria. A Rússia, com sua intensificação de ataques aéreos à Ucrânia, e a postura passiva da União Europeia em relação à violação do direito internacional por parte dos Estados Unidos, reforçam um cenário de apatia diante do genocídio e de transferências irresponsáveis de armamentos que fomentam crimes internacionais.
No Brasil, o relatório menciona a violência policial como um dos principais problemas, com operações que resultaram em mortes desproporcionais entre a população negra e em situação de vulnerabilidade. Além disso, as mulheres e a comunidade LGBTI enfrentam níveis alarmantes de violência, acompanhados de uma persistência da impunidade.
A Anistia Internacional conclui fazendo um apelo ao Brasil para que tome medidas concretas em prol dos direitos humanos, incluindo a responsabilização pela violência policial, avanço na demarcação de terras indígenas e quilombolas, e uma resposta eficaz à crise climática. A mensagem é clara: a proteção dos direitos humanos deve ser uma prioridade inegociável.







