A médica-veterinária Juliana Piza Conceição, do Nouvet Centro Veterinário 24h, alerta que muitos tutores podem subestimar a gravidade de um choque elétrico, especialmente quando os animais não apresentam ferimentos visíveis. As consequências de um choque podem ser devastadoras, com queimaduras atingindo a cavidade oral, pulmões e até resultando em alterações no ritmo cardíaco, que colocam a vida do pet em risco. A falta de sinais externos imediatamente perceptíveis pode atrasar a busca por atendimento veterinário, aumentando assim o potencial de agravamento do estado de saúde do animal.
Os fatores de risco são variados, mas muitos acidentes estão associados a carregadores de celular ou extensões deixadas no chão, além de fios finos acessíveis aos animais. Quando um pet morde um cabo energizado, queimaduras profundas podem ocorrer, levando a sintomas como salivação excessiva, dificuldade respiratória e alterações no ritmo cardíaco. Em casos extremos, o choque pode resultar em parada cardiorrespiratória.
A situação é ainda mais alarmante para filhotes e animais jovens, que estão naturalmente mais inclinados a explorar e roer objetos. Gatos, com seu comportamento curioso, também se expõem a esses riscos, especialmente quando fios soltos estão ao seu alcance. Especialistas afirmam que esse tipo de acidente é exacerbado pela falta de estímulos adequados. Fernando Lopes, adestrador e especialista em comportamento animal, destaca que a ausência de brinquedos e atividades regulares faz com que os animais busquem alternativas para liberar energia, frequentemente direcionando-se para cabos e outros itens perigosos.
A prevenção é essencial e envolve medidas simples, como organizar e fixar fios nas paredes, utilizar protetores de tomadas e evitar deixar carregadores conectados desnecessariamente. Além disso, a disponibilização de brinquedos adequados e a supervisão em áreas que contenham equipamentos elétricos são fundamentais.
Caso ocorra um choque elétrico, a primeira recomendação é desligar a fonte de energia antes de qualquer interação com o animal, minimizando assim os riscos de novos acidentes. Após garantir a segurança do pet, é essencial mantê-lo aquecido e imóvel, limpar a boca se necessário e procurar atendimento veterinário, mesmo que não haja sintomas imediatamente aparentes, dado que complicações podem surgir horas depois.
Em suma, proteger os animais das armadilhas elétricas em casa requer uma mudança na forma como organizamos nossos ambientes e uma vigilância constante sobre os riscos potenciais. A prevenção, combinada com a conscientização, pode ser a chave para garantir a segurança e o bem-estar dos nossos amados pets.






