Essa transação, que pode alcançar a cifra de 500 milhões de dólares — ou aproximadamente 2,7 bilhões de reais — marca a saída da Anglo American do segmento de níquel no Brasil. A operação inclui a venda de suas duas unidades de produção, Barro Alto e Codemin, localizadas em Goiás, além de dois projetos em desenvolvimento, Jacaré e Morro Sem Boné, que se encontram no Pará e em Mato Grosso, respectivamente.
Em um comunicado à imprensa, a Anglo American destacou que o processo de venda foi realizado de maneira competitiva, recebendo propostas de várias empresas globais. A decisão de vender para a MMG foi pautada pela qualidade da proposta apresentada, que contemplou não apenas o valor monetário, mas também garantias operacionais e a expertise da empresa australiana. Segundo a corporação, a MMG se destaca como uma operadora confiável, com um valor de mercado estimado em 4,7 bilhões de dólares, demonstrando condições financeiras e técnicas adequadas para a operação e o desenvolvimento das unidades adquiridas.
Entretanto, essa movimentação no mercado tem gerado preocupações entre setores privados, especialmente nos Estados Unidos, onde o Instituto Americano de Ferro e Aço (AISI) manifestou sua inquietação perante a negociação. O instituto chegou a solicitar a intervenção do governo dos EUA para discutir a questão com as autoridades brasileiras, sinalizando uma preocupação com a possível concentração de poder e os impactos que isso pode ter na competitividade do setor.
A decisão da Anglo American reflete não apenas uma reestruturação interna, mas também mostra como as questões geopolíticas e comerciais estão interconectadas no atual cenário da mineração global. O futuro das operações de níquel no Brasil agora se insere em uma complexa rede de interesses e vigilâncias que aguardam os desdobramentos dessa transação.