Analista aponta que capital privado é insuficiente para sanar crise da Avibras e defende ação estatal urgente na recuperação da empresa.

A Avibras Indústria Aeroespacial, uma das principais empresas brasileiras no setor bélico, se vê em uma situação crítica, enfrentando um processo de recuperação judicial que já dura 19 meses. Durante esse período, a empresa não conseguiu honrar seus compromissos financeiros, incluindo o pagamento de salários, o que resultou em um quadro de crise que afeta diretamente seus funcionários. Desde setembro de 2022, os trabalhadores estão em greve, o que intensifica a pressão sobre a direção da companhia e os possíveis investidores.

Recentemente, representantes dos funcionários se reuniram com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos para discutir propostas de investimento que foram apresentadas, mas ainda sem nomes confirmados. A situação dos trabalhadores, que esperam receber salários de meses passados, permanece sem solução. O especialista em história e pesquisador do Núcleo de Estudos das Américas, João Cláudio Pitillo, comentou que, apesar do interesse do capital privado, ele acredita que este não é suficiente para solucionar os problemas da Avibras. Para ele, uma “parceria público-privada com controle majoritário do Estado” seria uma solução mais adequada para garantir a continuidade e a competitividade da empresa, que possui um papel estratégico na defesa nacional.

Pitillo ressaltou a importância da Avibras no desenvolvimento de tecnologia militar, mencionando projetos como os mísseis de cruzeiro que estão paralisados e a produção das plataformas de foguetes Astros, essenciais para o Exército Brasileiro. A falta de capital e a debilidade de sua estrutura técnica, decorrente da fuga de profissionais qualificados, podem comprometer futuras inovações e a recuperação da empresa.

Após um período tumultuado, que incluiu tentativas frustradas de venda para empresas internacionais como a australiana DefendTex e a chinesa Norinco, a Avibras agora busca um investidor nacional. Em resposta às críticas e preocupações a respeito da sua gestão e das dívidas trabalhistas pendentes, a empresa afirmou que continua em negociação com um investidor que poderia contribuir para sua recuperação.

O futuro da Avibras é considerado vital não apenas para seus empregados, mas também para a indústria de defesa do Brasil como um todo. A situação atual exige um posicionamento firme tanto do governo quanto da iniciativa privada, visto que a empresa representa uma das joias do setor bélico nacional, com um legado de inovação e desenvolvimento tecnológico que precisa ser preservado.

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