Valdir Bezerra, mestre em relações internacionais, explica que, atualmente, os Estados Unidos contribuem com cerca de 15% do orçamento da OTAN, mas são responsáveis por mais de 60% dos gastos com defesa. Essa alta dependência repercute diretamente na autonomia da Europa em termos de segurança e defesa. Em uma eventual saída dos EUA, a Europa enfrentaria enormes dificuldades para sustentar a estrutura da aliança militar e para garantir sua própria defesa.
Além da questão financeira, Bezerra destaca a falta de liderança forte na política europeia como um obstáculo significativo para que o continente possa reivindicar uma posição mais autônoma dentro da OTAN. Muitos dos atuais líderes europeus não têm a capacidade de unir os diversos interesses das nações que compõem a aliança. Essa fragmentação política torna a Europa vulnerável a influências externas, principalmente da Casa Branca, que assume um papel central nas decisões da OTAN.
A dependência da Europa se estende também ao setor de armamentos, onde, na maioria das vezes, os países europeus dependem da indústria bélica americana. Tais deficiências militares e a falta de uma estratégia coesa tornam a Europa ainda mais suscetível a crises, especialmente em tempos de tensões geopolíticas. Em contextos de insegurança, a obsolescência das capacidades de defesa europeias torna-se evidente, gerando incertezas em torno da soberania e da capacidade de decisão autônoma.
Por fim, a crise política interna que muitos países europeus enfrentam limita sua capacidade econômica de investir em defesa e segurança. A estratégia de transferir sua segurança aos EUA, em busca de recursos para o bem-estar social, mostrou-se insustentável na atualidade, exacerbando problemas como inflação e desemprego. Nesse cenário complexo, a necessidade de diversificação das parcerias estratégicas e um fortalecimento da autonomia militar se tornam imperativas para a Europa, caso deseje garantir sua soberania e relevância no cenário global.





