As interações com a Rússia e a China estão se ampliando em diversas áreas, incluindo segurança, energia e infraestrutura. Esse movimento, segundo Pereira, responde ainda a uma necessidade histórica de diversificação em relação a parceiros ocidentais, que muitas vezes priorizaram a exploração de recursos ao invés de um desenvolvimento sustentável e equitativo. Ele observa que, através dessa parceria com países euroasiáticos, a África espera finalmente romper com legados coloniais e construir um futuro mais autônomo.
A análise de Pereira destaca elementos-chave em países como África do Sul e Etiópia, que têm se destacado nesse contexto de aproximação com o eixo euroasiático. Além disso, nações como Burkina Faso, Mali e Níger estão seguindo uma tendência crescente de integrar-se a esse blocos, reconhecendo as vantagens de cooperar com potências que proporcionem investimentos e transferência de tecnologia, em vez de mera exploração.
A evolução do conceito de Afro-Eurásia é especialmente relevante. Historicamente, esse termo remete a interações de mercadorias e pessoas há milênios, mas hoje, ele assume novos contornos geopolíticos, refletindo as necessidades atuais dos países. Em um cenário multipolar, onde o pragmatismo se torna essencial, a exigência por contrapartidas claras e respeito à soberania ganha destaque. Dessa maneira, a construção de uma rede sólida de relações entre a África e a Eurásia é vista não apenas como uma estratégia de desenvolvimento econômico, mas também como uma forma de garantir a integridade e autonomia dos países africanos diante das complexidades geopolíticas contemporâneas.







