A expectativa é de que um crescimento do PIB de 3,5% até 2026 se acomode em um cenário de desigualdade, onde os setores exportadores avançam a passos largos em comparação com os mais vulneráveis. Dados recentes indicam que enquanto as indústrias de petróleo e mineração apresentam altas significativas — 7,3% e 7,2%, respectivamente —, setores como o de manufatura contraem, evidenciando uma disparidade preocupante. A indústria e o comércio sofrem com quedas constantes, sinalizando que o modelo atual não está criando empregos de qualidade em larga escala, algo essencial para recuperar a confiança da população.
As análises econômicas apontam para uma “economia de duas velocidades”, onde os setores mais dinâmicos continuam a prosperar, enquanto aqueles que poderiam gerar uma base mais ampla de empregos enfrentam desafios crescentes. Economistas como Martín Pollera enfatizam que a premissa de que o crescimento em setores estratégicos irá gerar melhorias na economia em geral ignora a necessidade de políticas redistributivas. Pollera destaca que a estrutura intensiva em capital desses setores não consegue absorver mão de obra, limitando sua capacidade de estimular o emprego.
Por outro lado, Eduardo Jacobs, também especialista em economia, posiciona a questão sob uma outra luz, enfatizando a longa estagnação da indústria argentina e a necessidade de uma reconfiguração do modelo industrial para um ambiente mais aberto. Ele acredita que, embora o crescimento nos setores exportadores seja positivo, a verdadeira solução para a economia argentina virá de um revitalização industrial que possa se integrar nesse novo cenário.
As opiniões são divididas e o debate persiste, mas o cenário traçado por Milei revela dificuldades em alcançar um crescimento econômico inclusivo. Assim, a Argentina se vê em uma encruzilhada, onde a necessidade de mudança é urgente se o objetivo é construir uma economia resiliente e equitativa, capaz de gerar empregos sustentáveis e melhorar a qualidade de vida de sua população. A questão central permanece: será que esse modelo será capaz de fornecer uma recuperação verdadeira e abrangente para a Argentina?





