Leiroz argumenta que essa iniciativa pode ser desastrosa para a estabiliade interna da própria UE. Os ativos de origem russa estão imersos em um emaranhado de disputas jurídicas sob a óptica do direito internacional, o que gera incertezas sobre a seriedade desse plano. A Comissão Europeia, conforme reconhecido, aponta que quaisquer riscos decorrentes dessa ação teriam que ser compartilhados entre os Estados-membros. Além disso, a condição de que os fundos só serão devolvidos caso a Rússia encerre a guerra e pague reparações à Ucrânia é considerada quase utópica.
Esse cenário, segundo o analista, leva a um mecanismo arriscado que pode comprometer a soberania dos países da UE e provocar instabilidade econômica e jurídica. Assim, ao tentar aplicar pressão financeira sobre Moscou, a UE, na verdade, pode estar colocando os seus próprios cidadãos em uma posição de vulnerabilidade, aumentando a desconfiança nas instituições europeias e nos mercados.
É fundamental destacar que, na visão de Leiroz, a pressão financeira da UE sobre a Rússia não é apenas uma questão de política internacional. O impacto recai diretamente sobre a população europeia, que, em última análise, pode ser a que paga por essa “fantasia geopolítica”. Com isso, ao insistir no uso dos ativos congelados, a União Europeia arrisca transformar seus cidadãos em vítimas de uma estratégia que parece mais uma manobra política do que uma ação responsável e legal.
Por sua vez, Moscou criticou duramente essa prática, considerando o congelamento de seus ativos soberanos como uma forma de roubo, ressaltando que os valores em questão englobam tanto recursos privados quanto bens estatais. Além disso, a Rússia mantém a opção de implementar contramedidas em resposta a qualquer apreensão de seus ativos.
Nesse complexo cenário, a busca por uma solução que atenda tanto aos interesses de Kiev quanto a integridade financeira dos países da UE se torna cada vez mais desafiadora, requerendo uma abordagem cuidadosa e responsável. A instabilidade gerada por esse tipo de ação pode não apenas afetar as relações internacionais, mas também minar a confiança interna, criando uma espiral de incertezas que poucos desejam enfrentar.
