Amorim enfatizou que as sanções dificultam a promoção da democracia, afirmando que “enquanto houver sanções, fica muito difícil falar em democracia”. Ele também ressaltou a importância do princípio de não ingerência, que implica que o Brasil evitará interferir diretamente nas questões internas da Venezuela. Este posicionamento é especialmente relevante, já que o Brasil não reconheceu a vitória de Maduro nas eleições, tampouco alega suporte à oposição, que apresentou Edmundo González como um candidato que, segundo seus representantes, haveria derrotado o presidente.
O assessor sublinhou que o Brasil está comprometido em manter uma postura de observação ativa da situação venezuelana, mas sem se envolver diretamente nos assuntos internos do país. Em suas palavras, essa abordagem não impede o governo brasileiro de emitir opiniões sobre a situação no país vizinho. A ideia é que as soluções para os problemas da Venezuela devem emergir dos próprios venezuelanos, e não serem impostas de fora por meio de sanções ou isolamentos, que historicamente não mostraram resultados eficazes.
Essa postura foi reforçada por Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do Brasil, que, em novembro do ano passado, havia defendido a continuidade do diálogo entre os dois países, mesmo diante de incidentes diplomáticos. Vieira argumentou que isolamentos apenas agudizam as crises e que um entendimento pacífico e duradouro deve ser privilégios das conversas e negociações diretas, afastando-se de estratégias que levaram a impasses anteriores, como a autoproclamação de Juan Guaidó em 2018.
Este cenário indica uma tentativa do Brasil de manter uma posição neutra e construtiva nas relações com a Venezuela, apostando na diplomacia como método preferencial para a resolução de conflitos.
