Amorim enfatizou que a maneira como a comunidade internacional e, particularmente, os Estados Unidos abordam o conceito de terrorismo é complexa e muitas vezes imprecisa. Ele ressaltou que a definição de terrorismo varia amplamente e que utilizar esse termo como base para ações militares é inaceitável. “O que não podemos admitir é que um terceiro país utilize isso como pretexto para intervenções diretas”, afirmou, lembrando que ações desse tipo podem levar a graves consequências diplomáticas e de segurança para o Brasil.
Apesar de reconhecer o impacto do crime organizado no Brasil, Amorim garantiu que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tem um plano robusto para combater essas atividades ilícitas, o qual inclui a cooperação com os Estados Unidos. Ele defendeu que essa colaboração deve ocorrer dentro de um contexto que respeite a soberania nacional e sem a imposição de intervenções estrangeiras. Em suas palavras, “a colaboração internacional autêntica será sempre bem-vinda”.
No tocante às relações entre Brasil e EUA, Amorim mencionou que a comunicação sempre foi positiva ao longo de sua carreira diplomática. Contudo, ele criticou as tarifas impostas pelo governo norte-americano, que considera em desacordo com as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC). Além disso, abordou o impasse relacionado à indicação de Daniel Perez como embaixador dos Estados Unidos no Brasil, que foi considerado “rejeitado” por não seguir as regras da Convenção de Viena.
Amorim concluiu sua fala reforçando a importância de uma política externa que defenda um mundo multipolar e apoie o multilateralismo. A posição do Brasil deve ser de neutralidade, especialmente em tempos de disputas intensas por recursos estratégicos, mantendo sempre a abertura para um diálogo construtivo que não comprometa a soberania nacional.




