Regiane Bressan, professora da Universidade Federal de São Paulo, enfatiza que essa abordagem permite que os países latino-americanos mantenham relações saudáveis com ambas as partes, enquanto defendem seus próprios interesses. O Brasil é frequentemente citado como um exemplo dessa estratégia, conseguindo equilibrar suas relações com Washington e Pequim sem se comprometer excessivamente com um lado ou outro.
Para garantir essa soberania e não se tornarem dependentes de um único parceiro, a diversificação de parcerias é fundamental. Isso implica não apenas manter diálogo com EUA e China, mas também buscar áreas de convergência, assim como administrar as divergências que possam surgir. Bressan alerta que as nações latino-americanas devem usar seus recursos naturais como uma barganha significativa nas negociações internacionais, buscando condições vantajosas.
A cientista política Beatriz Bandeira de Mello complementa essa visão, afirmando que a ascensão de líderes como Javier Milei, na Argentina, e Nayib Bukele, em El Salvador, tem gerado um novo tipo de alinhamento ideológico com os Estados Unidos, influenciado pelo “efeito Trump”. No entanto, essa polarização pode representar um retrocesso para o Brasil, cuja influência na região poderia ser comprometida.
Ambas as especialistas concordam que o diálogo aberto e a ativa participação em fóruns multilaterais são essenciais para que a América Latina possa negociar de forma eficaz os seus interesses, especialmente em um contexto em que as organizações internacionais enfrentam diversas crises. O fortalecimento de parcerias com a China, por exemplo, pode resultar em ganhos significativos nas áreas de infraestrutura e tecnologia, setores que necessitam de investimentos robustos para fomentar o desenvolvimento.
De acordo com Bressan, a modernização da infraestrutura é um dos passos cruciais para o Brasil, já que a falta de um sistema ferroviário eficiente e a fragilidade de outras estruturas aumentam o custo de exportação. O desafio, portanto, reside não apenas em manter portas abertas, mas também em desenvolver uma identidade forte e independente, capaz de interagir de maneira vantajosa com potências globais. A busca por uma maior sinergia em acordos deve estar sempre alinhada ao interesse nacional, buscando uma integração que beneficie o desenvolvimento sustentável e a estabilidade econômica da região.
