O que agrava essa situação é a existência de uma quantia considerável de recursos financeiros que poderiam ser alocados ao setor agroalimentar. Estima-se que entre US$ 700 bilhões e US$ 900 bilhões, equivalente a trilhões de reais, estejam disponíveis em instituições de financiamento de desenvolvimento, mas ainda não alcançam os produtores que mais precisam. Diante desse cenário, a FAO enfatiza a importância de redirecionar esses investimentos para pequenos produtores e regiões rurais onde podem ter um impacto real e positivo.
Durante um encontro recente dedicado à discussão sobre investimentos nos sistemas agroalimentares da região, René Orellana Halkyer, representante regional da FAO, ressaltou que a transformação desse setor exige mais do que apenas a injeção de recursos financeiros. É necessário um planejamento cuidadoso sobre onde aplicar os investimentos e como integrar um maior número de produtores nas cadeias de valor. Orellana propôs a criação de “ecossistemas financeiros territoriais,” que possam conectar agricultores, governos, empresas e instituições financeiras, facilitando o acesso ao crédito.
Esses ecossistemas financeiros devem ser adaptáveis aos ciclos de produção e às diversas condições que cada região enfrenta, desde questões econômicas até ambientais. Orellana defende a substituição do financiamento voltado para projetos isolados por estratégias mais abrangentes, que considerem as interconexões entre produção, infraestrutura e serviços técnicos.
Para implementar essas ações, a FAO sugere ferramentas como garantias, financiamento misto e seguros agrícolas, que possam não apenas melhorar a qualidade dos projetos, mas facilitar a inclusão de mais produtores no acesso a recursos financeiros. A atuação da FAO na América Latina e no Caribe é robusta, com mais de US$ 1 bilhão investidos em cerca de 400 projetos em colaboração com diversos agentes locais.
No entanto, o grande desafio é garantir que uma parcela significativa desses recursos chegue de forma efetiva aos pequenos produtores e áreas rurais, especialmente considerando as limitações fiscais que muitos governos enfrentam. A melhoria do acesso ao financiamento pode ser a chave para liberar o potencial agroalimentar da região e mitigar a fome que ainda aflige uma parte significativa da população.
