Alta de 54,63% no preço do querosene de aviação pode provocar aumento nas passagens aéreas e afetar conectividade no Brasil, alerta governo.

Na quarta-feira, a Petrobras divulgou uma significativa elevação nos preços do querosene de aviação (QAV), o que poderá impactar diretamente o valor das passagens aéreas em todo o Brasil. A estatal informou que, a partir dessa data, o preço do QAV subirá em média 54,63%, o que representa um acréscimo de R$ 5,495 por litro em relação ao mês anterior. Diferentemente do que ocorre com a gasolina e o diesel, o ajuste nas tarifas do querosene de aviação acontece mensalmente, e é estabelecido por meio de contratos entre as distribuidoras e a empresa estatal.

Essa alta no QAV poderá pesar no orçamento dos brasileiros que utilizam o transporte aéreo. Atualmente, cerca de 30% dos custos operacionais das companhias aéreas estão relacionados à aquisição de combustíveis e lubrificantes. Com um reajuste tão expressivo, é provável que parte desse custo adicional seja repassado aos passageiros, resultando em aumentos nas tarifas aéreas nos próximos meses.

O aumento já havia sido antecipado pela Vibra Energia, antiga BR Distribuidora, que é a maior empresa de distribuição de combustíveis do Brasil e atua com a marca Petrobras em diversos estabelecimentos. O reajuste decorre de múltiplos fatores, entre eles a escalada de conflitos no Oriente Médio, especificamente a guerra que envolve Estados Unidos, Israel e Irã, que impactou os preços internacionais do petróleo, que já registraram a maior alta em quase 40 anos.

Apesar de o Brasil ser um grande produtor de QAV, ainda importa aproximadamente 20% de sua demanda interna. A Vibra é responsável pelo abastecimento de cerca de 60% das aeronaves em 90 aeroportos ao redor do país. É importante notar que, nos últimos anos, o setor aéreo tem enfrentado consequências financeiras graves, especialmente após a pandemia de COVID-19, que resultou em margens de lucro extremamente baixas para as companhias. Assim, um aumento significativo no custo do QAV não deve ser totalmente absorvido pelas empresas, o que pode tornar o repasse aos consumidores inevitável.

Além do impacto nas tarifas de passagens, a alta também poderá comprometer a conectividade aérea. As empresas podem ser forçadas a reduzir suas rotas, especialmente aquelas que atendem regiões menos acessíveis e mais distantes dos grandes centros urbanos. Outras distribuidoras, como Air BP e Raízen, já anunciaram que também implementarão reajustes nos preços, citando a volatilidade dos mercados globais de petróleo como um fator determinante.

Frente ao potencial aumento dos preços dos combustíveis e passagens aéreas, o governo federal considera implementar medidas que possam mitigar os efeitos dessas elevações no bolso do cidadão. Propostas incluem a possibilidade de zerar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e reduzir as alíquotas de PIS e Cofins sobre o QAV. No entanto, até o momento, nenhuma ação concreta foi definida.

O querosene de aviação, combustível essencial para o transporte aéreo, é produzido nas refinarias e vendido exclusivamente pela Petrobras às distribuidoras, que gerenciam o abastecimento e a comercialização para as companhias aéreas e revendedores. Tal cenário, aliado à dependência do mercado internacional, torna os preços do QAV particularmente sensíveis a oscilações no setor global.

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