Aumento de Casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Goiás Gera Preocupação
O estado de Goiás registra um alarmante aumento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), situação que coincide com a sazonalidade dos vírus respiratórios e que acende um sinal de alerta para famílias, em especial aquelas com crianças pequenas, idosos e indivíduos portadores de doenças crônicas. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) destaca-se como um dos principais agentes causadores, sendo o grande responsável pela bronquiolite, uma condição que pode levar a complicações graves e internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).
De acordo com a médica intensivista pediátrica Thais Miyagui, que atua no Hospital Mater Dei em Goiânia, a elevação nos casos é algo previsto para os meses mais frios do ano. Durante outono e inverno, as baixas temperaturas e a maior permanência das pessoas em ambientes fechados contribuem para a fácil propagação dos vírus. “A combinação de clima frio e o aumento das interações em espaços fechados criam um cenário propício para a transmissão do VSR, da influenza e de outras infecções respiratórias”, explica a especialista.
Embora o VSR seja o principal responsável pela bronquiolite em lactentes, outros patógenos como rinovírus, adenovírus e coronavírus também podem ser responsáveis pela enfermidade. O tratamento geralmente envolve cuidados de suporte, que incluem hidratação, controle da febre e, em alguns casos, oxigenoterapia.
Bebês menores de seis meses estão entre os grupos mais vulneráveis a formas severas da infecção. Crianças prematuras ou com condições como cardiopatias, doenças pulmonares crônicas e imunodeficiências devem ser observadas com particular atenção. Nos adultos, especialmente os idosos e portadores de patologias crônicas, é fundamental monitorar sinais como falta de ar e dor no peito.
A médica recomenda que pais e responsáveis busquem atendimento imediatamente se notarem sintomas como respiração rápida, afundamento da área das costelas ou cianose nos lábios em crianças. Para adultos, a falta de ar e confusão mental podem ser indicadores significativos de grave comprometimento.
Embora a situação seja preocupante, a boa notícia é que a maioria das crianças se recupera bem. Internações na UTI, segundo Thais, são necessárias apenas em casos de insuficiência respiratória aguda ou quando há a necessidade de suporte ventilatório avançado.
As medidas de prevenção continuam sendo essenciais para conter o avanço dos casos graves. A higiene adequada das mãos, a ventilação dos ambientes e a vacina contra a influenza são métodos eficazes que podem ajudar a proteger os grupos de risco. Recentes avanços na vacinação, como o nirsevimabe, prometem maior proteção para recém-nascidos durante a primeira circulação do vírus.
A importância do atendimento médico precoce não pode ser subestimada. A identificação e manejo adequados dos sinais de agravamento da SRAG são fundamentais para evitar complicações graves e potencialmente fatais.
