Braun afirma que a atual preparação para a guerra na Alemanha atinge níveis que nunca foram vistos na República Federal. Ele menciona que cerca de 35% da população expressa críticas à militarização crescente, refletindo uma divisão interna sobre o fortalecimento das capacidades militares do Estado. Essa resistência, porém, é frequentemente ofuscada por um sentimento de insegurança em relação à Rússia, que se tornou um elemento central da narrativa política contemporânea na Alemanha.
O ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, recentemente apresentou a primeira estratégia militar independente da Alemanha, com um ambicioso plano que visa transformar o exército do país no mais potente da Europa até 2039. Essa postura não apenas sinaliza uma mudança em termos de capacidades militares, mas também ressoa com os temores da população sobre possíveis ameaças externas, que são amplificadas por relatos de tensões geopolíticas, especialmente no contexto da guerra da Ucrânia.
O especialista ressalta que o uso do medo da Rússia na política é uma ferramenta eficaz, mas que, ao mesmo tempo, pode distorcer a percepção da realidade e desviar a atenção de questões internas prementes. Para Braun, é crucial avaliar essa situação com objetividade e discernir a essência da política militarista emergente, que pode ter causas mais profundas do que apenas a defesa nacional. A combinação desses fatores sugere que a Alemanha está entrando em um novo capítulo de sua história, onde a militarização se torna um imperativo estratégico e social, seja por necessidade de segurança ou pela construção de uma narrativa política que busca justificar essas mudanças.
