Alcolumbre sinaliza que votação da PEC sobre escala 6×1 ficará para agosto, frustrando expectativas de aliados de Lula antes do recesso parlamentar.

No cenário político atual, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca acabar com a escala de trabalho 6×1 encontra-se em um impasse no Senado, frustando expectativas de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Inicialmente, havia esperança de que a votação pudesse ser concluída antes do recesso parlamentar, programado para começar em 18 de julho. No entanto, a avaliação entre os membros do governo indica que essa tramitação deverá ser adiada para após agosto, uma vez que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem demonstrado falta de clareza sobre como irá proceder com a discussão da proposta.

A PEC, aprovada na Câmara em 27 de maio, representa uma prioridade para o governo, já que sua implementação poderia ser uma vitrine importante para Lula nas eleições, dada a relevância do tema para os trabalhadores. Apesar disso, desde sua aprovação na Casa baixa, a proposta não avançou. Fontes do governo afirmam que Alcolumbre só dará andamento a pautas do interesse do executivo após uma conversa com Lula, o que ainda não ocorreu. A relação entre o presidente e o senador se deteriorou após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, um episódio que Lula considera uma derrota significativa.

Nos últimos dias, Lula tem solicitado um levantamento das votações da sabatina de Messias, na expectativa de identificar possíveis traições entre os senadores. Essa preocupação evidencia a tensão nas relações entre o Palácio do Planalto e o Senado. Alcolumbre, por sua vez, ainda não iniciou a tramitação da proposta, que precisará passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de ser levada ao plenário. Otto Alencar, presidente da CCJ, expressou preocupações sobre a falta de tempo hábil para uma discussão abrangente antes da pausa parlamentar, especialmente dado que o processo legislativo foi complicando por sessões remotas e pela ausência de um relator designado.

Ainda que Alencar se comprometa a acelerar a votação assim que a proposta chegue à sua Comissão, o clima permanece incerto. Em uma audiência pública recente, Alcolumbre não ofereceu indícios claros sobre o cronograma de tramitação, embora tenha manifestado disposição para retirar do texto um período de transição — um ponto de interesse do governo.

Aliados de Lula, por outro lado, continuam a pressionar por uma movimentação rápida no Senado. A insatisfação é visível, com grupos de correio eletrônico e redes sociais discutindo o assunto com frequência. Em um exemplo da mobilização, um vídeo circulou nas redes sociais, mostrando Alcolumbre dançando enquanto criticam a lentidão na votação da PEC, enfatizando que “o trabalhador continua exausto”.

Essa pressão se intensificou conforme se aproximam as eleições, com partidos de esquerda, incluindo o PT, programando manifestações para exigir celeridade no processo. Enquanto isso, Alcolumbre expressou sua contrariedade em relação à pressão política, criticando o governo por tentar utilizar a PEC em benefício eleitoral e desafiando a lógica de coagulação que pode surgir quando se argumenta que a negativa de apoio à proposta vai contra os interesses de milhões de trabalhadores.

Assim, a situação permanece tensa, com um futuro incerto para a PEC e para as relações entre os diferentes polos de poder em Brasília.

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