Alcolumbre não prorroga CPI do Crime Organizado e relator critica decisão como “grande desserviço” ao combate à criminalidade em ano eleitoral.

Decisão de Alcolumbre pode afetar investigações da CPI do Crime Organizado

Em uma reunião realizada nesta terça-feira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu não prorrogar as atividades da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Essa decisão, segundo o relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), resulta em um “grande desserviço” para as investigações que buscam desmantelar as redes de organizações criminosas no país, especialmente em um ano eleitoral.

A CPI, instituída em novembro de 2025, tinha como objetivo investigar a estrutura e a operação de milícias e facções, tendo sido criada após uma grande operação policial que resultou em 122 mortes no Rio de Janeiro. O relator expressou sua frustração com a decisão de Alcolumbre, afirmando que o encerramento das atividades da CPI sem a devida prorrogação limita o tempo disponível para aprofundi-las. Vieira ressaltou que a escolha de não estender as reuniões foi unilateral e não contou com a concordância dos membros da comissão.

Durante sua declaração, Vieira mencionou que não buscará reverter a decisão através do Supremo Tribunal Federal (STF), respeitando o entendimento de que cabe ao presidente do Senado decidir sobre a prorrogação das comissões. Ele destacou ainda a importância de seguir as regras estabelecidas, mesmo diante de um desfecho considerado desfavorável.

Em contrapartida, novas movimentações estão previstas na CPI. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já confirmou sua presença em depoimento agendado para o dia 8 de abril, onde deverá esclarecer assuntos relacionados a uma reunião ocorrida no Palácio do Planalto envolvendo investigados, incluindo o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Essa oitiva também contará com a presença do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que será convocado obrigatoriamente.

Essas revelações ocorrem em um cenário complexo, onde a operação da CPI se mostrava fundamental para a elucidação de crimes e a identificação de responsáveis, num momento em que o combate ao crime organizado é mais do que necessário para a segurança pública e o fortalecimento das instituições nacionais. A decisão de interromper os trabalhos da CPI levanta questões sobre a eficácia das ações legislativas diante da gravidade da situação do crime organizado no Brasil.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo