Fernández destacou que a greve geral atual, que mobilizou um número expressivo de participantes, era um movimento adiado por tempo demais e que deveria ter acontecido anteriormente. Ele enfatizou o descontentamento crescente entre a população e reiterou que a reforma trabalhista proposta não resolve as questões fundamentais enfrentadas pelos trabalhadores.
Além de comentar sobre a crise laboral, o ex-presidente fez uma reflexão sobre sua gestão na Casa Rosada, que ocorreu entre 2019 e 2023. Fernández admitiu a possibilidade de erros durante seu mandato e pediu desculpas, afirmando que sempre acreditou estar agindo da melhor maneira possível. Ele lamentou profundamente o impacto da pior seca da história argentina, que prejudicou a agricultura e, consequentemente, as exportações do país. Essa condição, combinada com desafios fiscais e a instabilidade gerada pela retórica midiática, culminou em uma crise inflacionária severa.
Fernández também defendeu o acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), justificando que não havia alternativa viável e que o pacto garantiu a continuidade dos investimentos em áreas essenciais, como saúde e educação. Sobre o movimento peronista, ele acredita que uma nova era está surgindo, afirmando a necessidade de uma liderança renovada que represente verdadeiramente os princípios do peronismo, que valorizam a justiça social e os direitos trabalhistas.
Na análise do contexto internacional, o ex-presidente expressou preocupação com a política externa, especialmente em relação à recente visita de Javier Milei a Washington. Ele criticou a ideia de que a Argentina deve se afastar da ONU para se juntar ao “Conselho da Paz”, considerando essa estratégia uma ilusão perigosa. Para Fernández, a Argentina deve focar em sua participação no BRICS, um bloco que oferece oportunidades de complementaridade e diálogo, e que é representativo de uma parte significativa do mundo.
