De acordo com a perita criminal Suely Mauricio, responsável pelo exame, o procedimento utilizou um microcomparador balístico para avaliar os projéteis retirados do corpo da vítima e os estojos fornecidos pela Delegacia de Homicídios de Proteção à Pessoa (DHPP). As amostras foram comparadas com as munições originais da arma apreendida. A perita explicou que a análise do percursor da arma, responsável pelo impacto nas cápsulas de espoletamento, confirmou que os projéteis possuíam os mesmos micro-raiamentos do cano da pistola, identificadores únicos que ligam o armamento ao crime.
“A convergência das marcas de percussão foi inequívoca, provando sem sombra de dúvida que os estojos foram percutidos pela pistola em questão e que os projéteis foram propulsados pelo cano da mesma,” afirmou Suely Mauricio durante a coletiva.
O delegado Francisco Medson, que conduz o inquérito, destacou a importância desse resultado para a investigação. “Esse passo decisivo não só confirma a autoria baseada em depoimentos como também fornece provas objetivas inquestionáveis. Ainda estamos investigando outros elementos do caso, incluindo o celular e as vestes do suspeito, para finalizar o inquérito e encaminhá-lo à justiça,” explicou o delegado.
Além do crime de Ana Beatriz, a apreensão da arma pode esclarecer outros sete casos de homicídios. A delegada Tacyane Ribeiro, coordenadora da DHPP, revelou que a arma pertence ao pai do acusado, um militar da reserva. “Após a confirmação no caso de Ana Beatriz, iniciaremos comparações com outros homicídios que podem estar relacionados à mesma arma, envolvendo cerca de oito vítimas,” declarou Tacyane.
O chefe do Instituto de Criminalística de Maceió (ICM), Charles Mariano, adiantou que a perícia no celular de Albino Santos já está em andamento e que resultados positivos na recuperação de dados foram obtidos. “Os elementos balísticos do caso serão inseridos no Sistema Nacional de Análise Balística (SINAB) e no Banco Nacional de Perfis Balísticos (BNPB), o que pode gerar correlações até fora do estado de Alagoas,” afirmou Mariano.
A divulgação desses resultados marca um avanço significativo na resolução do caso de Ana Beatriz e potencialmente no esclarecimento de outros homicídios, reforçando a eficácia das técnicas de perícia balística utilizadas pela Polícia Científica de Alagoas.
