Antônio de Dedé, cujo verdadeiro nome é Antônio Alves dos Santos, não começou sua jornada como artesão renomado. Inicialmente agricultor, ele começou a esculpir madeira em seu tempo livre, criando desde carros de boi até representações detalhadas de figuras humanas. A qualidade de sua obra logo chamou a atenção de admiradores e especialistas em arte, culminando no reconhecimento do Estado de Alagoas, que o nomeou “Patrimônio Vivo” em 2015.
Hoje, o ateliê da família é um santuário de criatividade e tradição. Cada peça, esculpida com precisão e detalhamento, reflete não apenas a técnica apurada, mas também a forte influência da religiosidade e da cultura popular nordestina. Antônio José de Dedé, um dos nove filhos do mestre, é um exemplo de como a arte pode ser uma vocação transmitida de geração em geração. Deixando a agricultura de lado, ele e seus irmãos dedicam-se integralmente à arte, perpetuando o legado do pai e imprimindo suas próprias marcas criativas.
A tradição familiar não se limita ao território alagoano. A galeria de Maria Amélia, em Maceió, foi um dos primeiros marcos importantes na divulgação da obra de Mestre Antônio. Sua arte, inicialmente reconhecida localmente, rapidamente ganhou projeção internacional. Peças como “Virgem Maria com o Menino Jesus”, exibida na novela “No Rancho Fundo” da Rede Globo, catapultaram o nome da família Dedé para um público ainda mais amplo, elevando o trabalho artesanal a novos patamares de reconhecimento.
A memória de Mestre Antônio não é apenas preservada através das peças de madeira, mas também nas histórias e tradições que ele passou a seus descendentes. Ele acreditava firmemente no dom divino do talento artístico, uma fé que resiste e inspira toda a comunidade que cerca sua família. “Nunca podemos perder a fé, nem a esperança”, afirmou ele em uma de suas últimas entrevistas, refletindo a essência de sua filosofia de vida.
A beleza inigualável das esculturas de madeira, com seus detalhes minuciosos expressando emoções e histórias, continua a encantar admiradores ao redor do mundo. É essa combinação de habilidade, tradição e inovação que torna a obra da família Dedé não apenas valiosa em termos culturais, mas também um símbolo vivo da rica herança artística de Alagoas.
Através do reconhecimento oficial e da apreciação popular, a família de Mestre Antônio de Dedé prossegue no caminho da preservação e inovação, assegurando que a arte popular alagoana continue a florescer e a inspirar futuras gerações.






