Ao contrário dos métodos tradicionais de registro clínico, o Prontuário Afetivo foca na singularidade de cada paciente. Ele não só documenta as condições de saúde, mas também revela aspectos íntimos e pessoais, como as preferências de lazer, comidas favoritas e músicas que confortam a alma. Esta iniciativa também permite que os familiares compartilhem mensagens pessoais, criando uma ponte emocional que fortalece o vínculo entre o paciente e a equipe médica.
A idealizadora do projeto, psicóloga Analu Lopes, que coordena a equipe no hospital, destaca que o Prontuário Afetivo nasceu da necessidade de tornar o ambiente hospitalar mais humanizado. Ele permite que a equipe médica conheça o paciente de maneira mais profunda, oferecendo um cuidado personalizado e acolhedor. Lopes enfatiza que cuidar da saúde mental é tão crucial quanto atender às necessidades físicas, especialmente em casos de alta complexidade.
Experiências pessoais reforçam o impacto desta abordagem. Jéssica Marques, filha de Jandair Marques da Silva, a primeira paciente transplantada de coração no hospital, expressa como a elaboração do prontuário de sua mãe foi uma oportunidade de compartilhar quem ela é além da doença. Já Maria Silvana Silva destaca como o prontuário ajudou a equipe a conectar-se de maneira mais significativa com sua mãe, Sebastiana dos Santos, conhecida carinhosamente como Dona Báu.
Para o diretor administrativo do hospital, Cleverson Natan, esta iniciativa não é apenas uma inovação, mas uma confirmação de que é possível transformar a experiência hospitalar através da humanização. Ele observa que o Prontuário Afetivo não apenas destaca a competência clínica do hospital, mas também sua capacidade de reconhecer e respeitar a história única de cada paciente. Em suma, o projeto é um exemplo do poder transformador da empatia no processo de recuperação.






