ALAGOAS – Estudantes Indígenas Celebram Jogos Olímpicos Koiupanká em Inhapi com 300 Participantes

No remoto município de Inhapi, localizado no Sertão alagoano, os Jogos Olímpicos Koiupanká trouxeram uma onda de entusiasmo e celebração entre os dias 17 e 24 de setembro. Este evento singular transformou a Aldeia do Roçado em um ponto de convergência para cerca de 300 estudantes indígenas de várias comunidades, incluindo Kariri Xocó, Xucuru Kariri Wassu Cocal, Katokim, Koiupanká e Karapotó. Mais do que apenas uma competição esportiva, os Jogos são uma verdadeira fusão de celebração cultural e reafirmação das raízes ancestrais.

Este ano, a cobra foi escolhida como mascote dos Jogos, simbolizando a renovação dos ciclos da vida. Desde 2011, o evento adota, bienalmente, figuras carregadas de profundo simbolismo mitológico da cultura Koiupanká. A edição de 2024 focou no tema da colheita, enxergada como uma metáfora para a “colheita do saber”, fruto da “árvore sagrada” de conhecimento. Francisco José, o pajé da Aldeia Roçado e diretor da Escola Estadual Indígena Anselmo Bispo de Souza, destacou a importância do evento. Para ele, os Jogos são “um encontro sagrado entre os povos”, facilitando a partilha de respeito e harmonia.

A competição deste ano incluiu 17 modalidades, com futsal como novidade. Muitas das atividades têm origem em práticas tradicionais como a caça e a pesca, envolvendo o uso de zarabatanas e arco e flecha. Além do espírito competitivo, os Jogos Olímpicos Koiupanká também celebraram um marco significativo para a comunidade: a inauguração da sede própria da Escola Estadual Indígena Anselmo Bispo de Souza, construída pelo Governo de Alagoas. Antes desse avanço, a escola operava em um prédio improvisado.

O sucesso educacional da escola também ganhou destaque, com excelentes resultados no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Francisco José não escondeu o orgulho: “Fomos uma das escolas que mais se destacou no IDEB, atingindo o melhor desempenho entre as instituições indígenas e não indígenas em três anos consecutivos.”

A artista Geovana Cléa, pela segunda vez escolhida madrinha dos Jogos Olímpicos Indígenas Koiupanká, reforçou a relevância cultural do evento. Ela planeja uma exposição em São Paulo que apresenta obras concebidas com o “barro sagrado da cultura indígena”. Geovana acredita que o evento pode ganhar projeção nacional, aumentando a visibilidade das tradições Koiupanká.

A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) almeja continuar este trabalho de preservação e promoção cultural. Com 17 escolas estaduais interculturais, a Seduc atende mais de três mil estudantes indígenas em Alagoas, garantindo uma educação que respeita e valoriza as tradições culturais de cada comunidade.

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