Airbnb Retira 1.625 Anúncios de Habitações de Interesse Social em São Paulo e Reforça Compromisso com Políticas Habitacionais da Prefeitura.

O Airbnb iniciou, na última segunda-feira, uma ação significativa em São Paulo, retirando do seu site todos os anúncios relacionados a apartamentos classificados como habitação de interesse social (HIS). De acordo com a empresa, foram identificados um total de 1.625 imóveis dessa categoria disponíveis na plataforma. A decisão se posiciona dentro de um contexto maior de regulamentação e justiça social no mercado imobiliário da capital paulista.

Essas propriedades foram construídas com incentivos da Prefeitura de São Paulo, que determinou que os imóveis HIS podem ser adquiridos apenas por famílias com renda entre 1 e 10 salários mínimos. Contudo, na prática, muitos desses apartamentos acabaram nas mãos de investidores, os quais os disponibilizavam para locação temporária em plataformas como o Airbnb.

Em um comunicado oficial, a empresa reafirmou seu compromisso com a destinação das unidades para as famílias que realmente necessitam desse tipo de moradia. O Airbnb assegurou que continuará a colaborar com a Prefeitura no cumprimento das normas da política habitacional local, demonstrando uma tentativa de alinhar suas operações com a legislação vigente.

Após a Secretaria de Habitação encaminhar uma lista de endereços com restrições a plataformas como o Airbnb, a empresa informou que começará a notificar os anfitriões sobre a remoção de 773 imóveis ativos, enquanto 852 já inativos serão excluídos permanentemente. O Airbnb também garantiu que os hóspedes afetados receberão suporte para encontrar novas acomodações, em um esforço para não prejudicar seus planos de viagem.

Os imóveis HIS e de mercado popular (HMP) devem ser ocupados apenas por famílias dentro de faixas de renda específicas. Embora investidores possam adquirir tais propriedades, a venda não é permitida por um período de dez anos. Além disso, as incorporadoras são responsáveis por verificar a renda dos compradores, que deve se enquadrar nos parâmetros estabelecidos pela prefeitura. Desde o ano passado, também existe um teto de preço para esses imóveis, que é atualizado anualmente, refletindo a preocupação da administração municipal em regulamentar o mercado.

Entre os benefícios que tornaram esses imóveis populares está a isenção da outorga onerosa do direito de construir, um imposto pago pelas construtoras para elevar a altura das edificações. Com a inclusão de unidades HIS ou HMP, as construtoras conseguem descontos significativos.

Segundo dados do Secovi-SP, entre janeiro de 2025 e maio de 2026, foram lançadas 129 mil habitações de interesse social e de mercado popular, representando 67,4% do total de lançamentos residenciais no período. Essa situação gerou um rebuliço na indústria imobiliária, principalmente após a prefeitura editar uma série de decretos para reforçar as normas relacionadas a essas categorias.

Além disso, medidas como a exigência de placas informativas nos canteiros de obras e a necessidade de incluir as classificações das unidades nos registros em cartórios foram implementadas. Essa vigilância parece ser uma resposta às crescentes preocupações sobre a alocação de bens destinados ao público de baixa renda, evidenciando a tentativa da prefeitura em impor uma maior transparência e responsabilidade no desenvolvimento urbano da cidade.

Sair da versão mobile