Essas propriedades foram construídas com incentivos da Prefeitura de São Paulo, que determinou que os imóveis HIS podem ser adquiridos apenas por famílias com renda entre 1 e 10 salários mínimos. Contudo, na prática, muitos desses apartamentos acabaram nas mãos de investidores, os quais os disponibilizavam para locação temporária em plataformas como o Airbnb.
Em um comunicado oficial, a empresa reafirmou seu compromisso com a destinação das unidades para as famílias que realmente necessitam desse tipo de moradia. O Airbnb assegurou que continuará a colaborar com a Prefeitura no cumprimento das normas da política habitacional local, demonstrando uma tentativa de alinhar suas operações com a legislação vigente.
Após a Secretaria de Habitação encaminhar uma lista de endereços com restrições a plataformas como o Airbnb, a empresa informou que começará a notificar os anfitriões sobre a remoção de 773 imóveis ativos, enquanto 852 já inativos serão excluídos permanentemente. O Airbnb também garantiu que os hóspedes afetados receberão suporte para encontrar novas acomodações, em um esforço para não prejudicar seus planos de viagem.
Os imóveis HIS e de mercado popular (HMP) devem ser ocupados apenas por famílias dentro de faixas de renda específicas. Embora investidores possam adquirir tais propriedades, a venda não é permitida por um período de dez anos. Além disso, as incorporadoras são responsáveis por verificar a renda dos compradores, que deve se enquadrar nos parâmetros estabelecidos pela prefeitura. Desde o ano passado, também existe um teto de preço para esses imóveis, que é atualizado anualmente, refletindo a preocupação da administração municipal em regulamentar o mercado.
Entre os benefícios que tornaram esses imóveis populares está a isenção da outorga onerosa do direito de construir, um imposto pago pelas construtoras para elevar a altura das edificações. Com a inclusão de unidades HIS ou HMP, as construtoras conseguem descontos significativos.
Segundo dados do Secovi-SP, entre janeiro de 2025 e maio de 2026, foram lançadas 129 mil habitações de interesse social e de mercado popular, representando 67,4% do total de lançamentos residenciais no período. Essa situação gerou um rebuliço na indústria imobiliária, principalmente após a prefeitura editar uma série de decretos para reforçar as normas relacionadas a essas categorias.
Além disso, medidas como a exigência de placas informativas nos canteiros de obras e a necessidade de incluir as classificações das unidades nos registros em cartórios foram implementadas. Essa vigilância parece ser uma resposta às crescentes preocupações sobre a alocação de bens destinados ao público de baixa renda, evidenciando a tentativa da prefeitura em impor uma maior transparência e responsabilidade no desenvolvimento urbano da cidade.





