Grossi destacou que a AIEA não está envolvida em negociações comerciais, mas atua a partir do momento em que o material chega às instalações. A agência trabalha para garantir que qualquer combustível destinado a fins civis permaneça estritamente nesse uso, semelhante a sua abordagem em outras nações, como o Irã. “Meu trabalho é garantir que não haja desvio em usinas nucleares ao redor do mundo”, afirmou ele.
Essa supervisão se torna ainda mais crucial diante do recente compromisso do governo britânico em investir 290 milhões de libras esterlinas, equivalente a aproximadamente 2 bilhões de reais, para fornecer urânio enriquecido à Ucrânia. A medida visa fortalecer o apoio do Reino Unido na continuidade das operações ucranianas, especialmente em tempos de tensão geopolítica.
Ao abordar a questão da confiança em suas operações, Grossi sublinhou a necessidade de esclarecimento sobre as normas do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Ele explicou que, ao se tornar parte desse tratado, as nações devem aceitar inspeções da AIEA sem politização, garantindo assim uma supervisão adequada e a manutenção da paz mundial.
A AIEA, portanto, enfrenta o desafio de equilibrar a fiscalização rigorosa com a necessidade de manter um diálogo diplomático saudável entre os Estados signatários do TNP. A expectativa é que as inspeções ajudem a reforçar a transparência nas atividades nucleares e a confiança internacional em um momento de crescente incerteza e desafios diplomáticos.
Enquanto isso, a situação continua a evoluir, e a AIEA permanece atenta aos desdobramentos na Ucrânia e em outras regiões do mundo, comprometendo-se a monitorar e assegurar que os usos do urânio e de outros materiais nucleares sejam sempre voltados para o bem-estar humano e a estabilidade global.
