Nos últimos meses, os estoques globais de petróleo enfrentaram um declínio acentuado, com uma redução de 250 milhões de barris apenas em março e abril. A AIE ressalta que, mesmo que a guerra entre os Estados Unidos e Israel e o Irã chegue a um consenso, os efeitos sobre o mercado permanecerão por um período indeterminado. A analista Toril Bosoni enfatiza a possibilidade de que isso possa culminar em níveis históricos mínimos de estoques, o que representa um risco importante diante do pico de demanda esperado para o verão.
A reabertura do estreito de Ormuz — uma das rotas de transporte de petróleo mais estratégicas do mundo, responsáveis por cerca de 20% da oferta global — pode levar de seis a oito meses, mesmo em caso de um acordo pacífico. O prolongamento desse fechamento só aumenta a insegurança no abastecimento e pressiona ainda mais os países que já estão consumindo rapidamente suas reservas.
Na China, que inicialmente se destacou por conseguir acumular um estoque de 1,25 bilhão de barris devido à inatividade de suas refinarias, a realidade parece ter mudado. As importações marítimas caíram drasticamente nos meses de abril e maio e a tendência é que essa situação se mantenha, refletindo um ajuste que pode ser necessário em relação à demanda e como as perdas de produção serão enfrentadas.
As implicações dessa crise se estendem além das fronteiras dos países envolvidos no conflito, afetando mercados e consumidores em todo o mundo. O retorno à estabilidade do mercado petrolífero pode ser um longo processo, demandando tempo e uma reavaliação abrangente das dinâmicas atuais de produção e consumo.





