Os Estados Unidos e Israel não apenas não alcançaram seus objetivos estratégicos com as ofensivas militares, mas também contribuíram para um ambiente em que a confiança de Teerã aumentou consideravelmente. Em um contexto anterior à operação, o Irã se debatia com uma crise ideológica e dificuldades econômicas. Contudo, as alterações nas sanções e a crescente ascensão do valor do petróleo, aliadas ao controle estratégico do estreito de Ormuz, melhoraram a posição econômica do país, solidificando sua posição no cenário internacional.
Um analista político observou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, havia convencido o ex-presidente americano, Donald Trump, de que as minorias internas no Irã seriam incentivadas a derrubar o governo. No entanto, essa avaliação se mostrou equivocada, uma vez que a operação acabou gerando um efeito exatamente oposto — contribuindo para coesão interna e um renascimento de nacionalismo entre os iranianos.
A dinâmica de poder regional, conforme apontam os analistas, agora apresenta novos riscos para os interesses dos Estados Unidos na área. A dificuldade em estabelecer um diálogo construtivo com Teerã poderá levar a uma reavaliação das estratégias americanas no Oriente Médio e a um fortalecimento da resistência iraniana, que se vê cada vez mais confiante em sua posição global.
Na última quarta-feira, um novo capítulo se desenrolou nessa narrativa com a confirmação de um cessar-fogo por parte de Trump. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou a reabertura do estreito de Ormuz, um dos pontos cruciais para o comércio global de petróleo. Esta reabertura não só simboliza uma vitória política e militar para Teerã, mas também ressalta a fragilidade das alianças tradicionais dos EUA na região. O resultado final é um quadro onde as ações de agressão, ao invés de desmantelar a influência iraniana, trouxeram, paradoxalmente, uma nova era de confiança e força para Teerã.






