Agibank Enfrenta Novas Incertezas com Proposta de Portabilidade de Benefícios do INSS Que Pode Impactar Ações e Concorrência no Setor Bancário

Brechas na Lei 15.252/25 Levam Agibank a Novas Incertezas Financeiras

O Agibank, que já enfrenta um período turbulento marcado por resultados financeiros preocupantes e uma queda significativa em suas ações desde o IPO realizado na NYSE em fevereiro de 2025, agora se depara com novas ameaças decorrentes de uma interpretação ambígua da Lei 15.252/25. Esta legislação, destinada a garantir que aposentados e pensionistas possam trocar de banco livremente, pode abrir portas a uma mudança que, se concretizada, afetaria agudamente a estrutura do setor bancário.

O Ministério da Fazenda está analisando um trecho vago da legislação referente a pensões, com a intenção de expandir a portabilidade de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Se essa proposta for aprovada, beneficiários poderão escolher qualquer instituição financeira para receber suas aposentadorias, incluindo bancos digitais que operam sem agências físicas. Esta mudança, conforme argumenta o ministério, incentivaria a concorrência entre as instituições financeiras, mas gera apreensões entre especialistas e analistas do setor.

Recentemente, profissionais do BTG Pactual expressaram suas considerações sobre o tema, afirmando que a proposta ainda apresenta uma elevada incerteza e que alterações nos critérios de elegibilidade para a portabilidade de benefícios do INSS são imprevisíveis. O próprio Agibank, em contato com o BTG, parece minimizar os riscos associados a essas mudanças, sugerindo que, dependendo da regulamentação final, a proposta poderia até trazer mais clientes para sua base.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) deverá regulamentar a situação nas próximas semanas, antes do prazo legal que se encerra em maio. Atualmente, a migração de um banco para outro exige que a nova instituição esteja habilitada pelo INSS, o que inclui obrigatoriamente a presença física de agências. O Ministério da Fazenda argumenta que a eliminação dessa exigência pode, de fato, aumentar a concorrência no setor e beneficiar os consumidores.

Entretanto, o Ministério da Previdência e o INSS manifestam resistência a essa proposição, destacando preocupações com a supervisão e alertando para potenciais fraudes em um sistema que já contabiliza bilhões em pagamentos e reclamações. Além disso, uma mudança na portabilidade também poderia impactar o leilão da folha de pagamentos, uma fonte significativa de receita para o Governo Federal, já que a possibilidade de qualquer instituição receber benefícios poderia desestimular a participação no leilão.

Os analistas também ponderam que, mesmo que o governo avance com a portabilidade sem restrições, pode haver uma continuará exigência de requisitos mínimos, como agências físicas, limitando assim a entrada de novos concorrentes totalmente digitais. Para o Agibank, por exemplo, essa abertura poderia elevar seu mercado potencial, visto que ele competiria apenas pelo público que participou dos leilões de 2019 a 2024.

No entanto, o cenário é complexo e, como indicam os analistas, a flexibilidade no sistema poderia incrementar a presença de instituições com histórico de práticas prejudiciais, afetando negativamente um público já vulnerável e exposto a cobranças indevidas. Assim, a questão da portabilidade de benefícios se mostra um campo minado, onde o Agibank e outros bancos tradicionais devem navegar cuidadosamente para evitar mais turbulências em um mercado em constante transformação.

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