Advogado preso pela PF é ligado a escritórios que receberam R$ 79 milhões do Banco Master em esquema de propina investigado na Operação Compliance Zero.

Na manhã de 16 de abril, a Polícia Federal prendeu o advogado Daniel Lopes Monteiro, que está ligado a dois escritórios de advocacia que somaram impressionantes R$ 79 milhões em repasses do Banco Master, entre 2022 e 2025. Esses valores ocupam a segunda colocação na lista de pagamentos recebidos por escritórios, de acordo com informações coletadas do Imposto de Renda do banco. O montante só perde para os R$ 80,2 milhões recebidos pelo escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Monteiro, que atuou como advogado do Banco Master durante as tentativas de venda da instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB), é um dos principais alvos das investigações. Os altos valores em repasses aos seus escritórios, Monteiro Rusu Cameirão e Bercht e Rusu Sociedade de Advogados, levantam questões críticas sobre a origem desses pagamentos e a relação deles com possíveis práticas de corrupção.

A operação mais recente, que é a quarta fase da “Compliance Zero”, resultou também na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Ambos os individuos são investigados por supostas negociações de propina que envolveriam a venda do Banco Master ao BRB. Uma das alegações contra Costa é a de que ele teria recebido R$ 146 milhões para tornar a aquisição mais facilitada, sendo que pagamentos dessa natureza teriam sido feitos por meio de imóveis localizados em Brasília e São Paulo.

O esquema, que se encontra sob o olhar atento da Polícia Federal, foi inicialmente bloqueado pelo Banco Central, que alertou para indícios de fraudes nas operações do Banco Master. Desde a revelação desses fatos, muitos questionamentos surgem acerca da integridade das transações realizadas e do papel dos envolvidos.

Apesar das tentativas de contato com o escritório de Monteiro para esclarecimentos, até o momento não houve resposta. O caso continua a ser um tema de grande interesse público e preocupa pela magnitude das somas envolvidas e suas implicações nas estruturas de poder e na regulamentação do setor bancário no Brasil. Essa situação alerta para a necessidade de uma vigilância mais rigorosa sobre atividades financeiras e bancárias, visando combater a corrupção e assegurar a lisura nas operações.

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