Advogado é preso em operação da PF por fraude milionária no Banco Master e esquema de propina no BRB

Na quinta-feira, 16 de abril, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, resultando na prisão do advogado Daniel Lopes Monteiro, que é suspeito de estar à frente de um complexo esquema de corrupção vinculado ao Banco Master. As investigações revelam que Monteiro não apenas desempenhou um papel fundamental na criação de um “compliance paralelo”, mas também foi responsável pela concepção da “arquitetura jurídica” que ocultava a propriedade de imóveis utilizados para subornar Paulo Henrique Costa, ex-diretor do Banco de Brasília (BRB).

De acordo com as apurações, Monteiro atuava nas operações de direito creditório no Banco Master, o que lhe proporcionou um espaço privilegiado no edifício Victor Malzoni e solidificou sua imagem no mercado financeiro como um especialista nessa área. Seu talento para o direito creditório lhe rendeu significativos lucros e, segundo relatos de operadores da Faria Lima, ele era conhecido por sua paixão por carros de luxo da marca Porsche. Testemunhas afirmam que o advogado frequentemente exibiu modelos novos, evidenciando um estilo de vida opulento.

Além de suas funções no Banco Master, Monteiro era associado ao escritório de advocacia Rusu Monteiro, que, segundo a investigação, atuou como um braço jurídico do esquema fraudulento. Ele esteve envolvido na elaboração de contratos relacionados à empresa Tirreno, que, conforme as evidências, criou créditos fraudulentos que o Banco Master teria vendido ao BRB. A operação da PF também revelou que documentos apreendidos em sua residência e na de outros suspeitos indicam repasses financeiros a Monteiro, reforçando seu papel central na trama.

Uma das descobertas mais alarmantes é a forma como o advogado facilitou a ocultação de seis imóveis de altíssimo padrão, avaliados em R$ 146,5 milhões, que foram utilizados como propina para a compra de títulos fraudulentos, totalizando cerca de R$ 12 bilhões. Os imóveis, registrados em nomes de empresas vinculadas a terceiros, levavam a um médico ortopedista que é cunhado de Monteiro. Em interceptações telefônicas, ficou registrada a conspiração de Monteiro e Vorcaro para utilizar o nome de Hamilton Edward Suaki, um médico com diversas conexões empresariais, como o “dono” desses imóveis.

A trajetória de Daniel Monteiro, marcada por riqueza e ostentação, culminou em sua prisão, demonstrando como a interseção entre o mercado financeiro e a corrupção pode gerar desdobramentos devastadores para instituições e indivíduos. O caso está em andamento e promete mais revelações sobre os intrincados laços entre direito, finanças e crime.

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