Advogada argentina que imitou macaco em bar no Rio retorna à Argentina após pagar fiança e se diz arrependida de sua reação racista.

A advogada argentina Agostina Páez, envolvida em um polêmico episódio de racismo ocorrido em um bar de Ipanema, no Rio de Janeiro, retornou à sua terra natal na noite da última quarta-feira. Agostina, que foi flagrada fazendo gestos considerados racistas ao imitar um macaco, enfrentou um processo por injúria racial na Justiça carioca e passou cerca de dois meses sob monitoramento eletrônico.

O histórico da advogada tornou-se ainda mais complicado após seu episódio na praia carioca, onde foi alvo de forte repercussão na mídia. O retorno à Argentina foi possibilitado após o pagamento de uma fiança que somou R$ 97.200. Ao desembarcar no Aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires, Agostina manifestou sua alegria ao voltar para casa, descrevendo o momento como “incrível” e expressando sua ansiedade para reencontrar a família, especialmente após ter se tornado, segundo suas palavras, a “inimiga pública número 1” no Brasil.

Repleta de arrependimento, a advogada declarou à imprensa: “Me arrependo de ter reagido mal”. Ela também enfatizou seu desejo de reconectar-se com seus familiares e amigos em Santiago del Estero, sua província natal, ressaltando a importância desses vínculos em sua vida após o tumulto que enfrentou.

A viagem de retorno não foi feita sozinha; Agostina foi acompanhada de seu pai, Mariano Páez, além de seus advogados, Sebastián Robles e Carla Junqueira, que a apoiaram durante todo o processo. Sua jornada judicial começou em 21 de janeiro, quando foi imposta a tornozeleira eletrônica por conta do caso. A situação se agravou em fevereiro, quando a Polícia Civil do Rio a prendeu temporariamente, mas a liberdade foi restaurada poucas horas depois, com um mandado revogado pela Justiça.

Recentemente, o juiz Luciano Barreto Silva, do Tribunal de Justiça do Rio, concedeu um habeas corpus que favoreceu Agostina, criticando as restrições impostas inicialmente. Essa decisão levou à retirada da tornozeleira e ao cumprimento de uma pena mínima de 60 meses, além de facilitar sua saída do Brasil.

O último dia 24 marcou uma etapa essencial no processo, com uma audiência de instrução e julgamento na 37ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, onde Agostina esteve presente, assim como as três vítimas cujos direitos foram violados pelos gestos racistas. A repercussão do caso enfatiza a necessidade de discussões mais profundas sobre a intolerância e os preconceitos ainda presentes na sociedade.

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