Advogada argentina deixa Brasil após pagamento de fiança e retirada de tornozeleira eletrônica em caso de injúria racial em Ipanema.

Na manhã desta terça-feira, dia 2, a advogada argentina Agostina Páez, de 29 anos, teve a tornozeleira eletrônica retirada no Rio de Janeiro, um passo significativo após mais de dois meses sob monitoramento. A decisão, proferida pelo juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte da 37ª Vara Criminal da Capital, veio após o pagamento de uma fiança no valor de R$ 97.260, correspondente a 60 salários mínimos.

Agostina estava sob o dispositivo desde o dia 21 de janeiro, quando passou a ser investigada por injúria racial, devido a incidentes que ocorreram em Ipanema. A retirada da tornozeleira foi autorizada em resposta a um habeas corpus concedido na segunda-feira pelo juiz Luciano Barreto Silva, que criticou a manutenção das medidas cautelares na primeira instância, mesmo com o avanço do processo judicial. A decisão foi vista como um sinal de que as restrições anteriores eram desnecessárias, levando à revisão das condições impostas à acusada.

A desativação da tornozeleira ocorreu em uma unidade da Secretaria de Administração Penitenciária. Momentos depois, um vídeo registrou a cena simbólica do fim das limitações que mantinham a advogada no Brasil, levantando questionamentos sobre a condução do caso e suas implicações jurídicas.

O caso de Agostina começou a tomar forma após um incidente no dia 14 de janeiro, quando ela foi filmada fazendo gestos racistas em frente a um bar em Ipanema, em uma transmissão que rapidamente viralizou e provocou indignação pública. Diante da gravidade da acusação, a advogada responde no Brasil às leis que punem crimes raciais.

A defesa de Páez está agora em negociação para substituir uma possível pena por um acordo que incluiria o pagamento de indenização às vítimas e a realização de serviços comunitários na Argentina, embora essa medida aguarde homologação judicial.

Com a tornozeleira retirada, o que falta para Agostina retornar ao seu país é a formalização da autorização de viagem. O juiz também ordenou a devolução de seu passaporte e a emissão de documentos que possibilitem sua saída do território nacional, um procedimento que ainda precisa ser comunicado às autoridades migratórias.

A expectativa da defesa é de que tudo esteja resolvido a tempo para que Agostina embarque ainda nesta quarta-feira, a partir do Aeroporto Internacional do Galeão. A advogada deve viajar acompanhada de seu pai e de um advogado da família, com destino inicial a Buenos Aires, antes de seguir para Santiago del Estero.

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