Esse levantamento ocorre em um contexto em que propostas para endurecer a legislação penal estão avançando no Congresso Nacional e se tornaram um tema central na atual eleição. Após um hiato de sete anos, um projeto de lei que prescreve a punição de adolescentes como adultos foi apresentado na Câmara dos Deputados. A proposta já passou pela Comissão de Constituição e Justiça e está à espera da montagem de uma nova comissão para que o mérito e os detalhes do texto sejam discutidos.
Em um comparativo com anos anteriores, o apoio à punição de adolescentes como adultos cresceu nos últimos quatro anos. Em 2022, 65% da população já defendia essa posição, enquanto 34% apoiavam a ideia de reeducação. O levantamento também aponta que a defesa da punição é mais forte entre grupos religiosos, com 75% dos evangélicos e 72% dos católicos apoiando essa postura.
A pesquisa também explorou a relação das opiniões sobre o tema com a intenção de voto. A maioria dos eleitores que apoiam Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — cerca de 61% — defende a ideia de que adolescentes devem ser punidos como adultos; já entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), esse percentual sobe para 81%.
Além deste tema, a pesquisa abordou a questão das drogas. Uma maioria expressiva de 85% dos entrevistados acredita que o uso de drogas deve ser proibido, considerando que sua legalização traria consequências negativas para toda a sociedade. Apenas 13% dos participantes defendem a ideia de que o usuário deve ter autonomia sobre o uso de substâncias ilícitas. Por fim, a pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 18 de junho, abarcando 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros.
