Adolescentes no TikTok: Conteúdos sobre vaporizadores ilícitos superam informações de saúde em popularidade, alerta estudo da Universidade de East Anglia

Uma pesquisa da Universidade de East Anglia (UEA) trouxe à tona uma inquietante revelação sobre a influência das redes sociais, especificamente TikTok, no comportamento dos adolescentes em relação ao uso de vaporizadores ilícitos. O estudo indica que os jovens são expostos a conteúdos que apresentam esses dispositivos como normais, engraçados e, de certa forma, inofensivos. Em contrapartida, as informações de saúde, embasadas em evidências e disponíveis em sites oficiais, não têm a mesma repercussão entre o público jovem.

Emma Ward, uma das pesquisadoras envolvidas no estudo, enfatiza que a origem das mensagens sobre cigarros eletrônicos ilícitos varia muito. A pesquisa identificou que vídeos no TikTok atraem grande atenção e podem contribuir para a formação de uma subcultura que promove o uso desses produtos. “Nesses espaços, jovens compartilham dicas, experiências e até métodos para contornar as restrições de idade”, alerta Ward.

A especialista destaca uma diferença notável: enquanto plataformas oficiais oferecem orientações úteis e bem-intencionadas sobre o uso de cigarros eletrônicos, há uma escassez de conteúdo que discorra sobre o consumo ilegal desses produtos. O estudo, publicado na revista Addiction, também mostrou que muitos vendedores estão adotando táticas para glamorizar os dispositivos ilícitos, colocando-os à venda em formatos que se assemelham a itens de cosméticos ou doces, com o intuito de evitar a verificação de idade.

A fragmentação do ambiente digital é uma preocupação crescente. Ward explica que a dificuldade em encontrar informações confiáveis faz com que os jovens busquem conteúdos mais envolventes, embora muitas vezes esses não sejam verdadeiros. Essa realidade se torna ainda mais alarmante em plataformas de rápido crescimento como o TikTok.

Para conduzir a pesquisa, a equipe analisou resultados tanto no Google quanto no TikTok. Foram levantados sites focados em saúde e educação, examinando as primeiras páginas de resultados, enquanto os conteúdos do TikTok foram selecionados a partir de hashtags populares associadas ao uso ilícito, como #noIDvape e #puffbundles.

Os achados do estudo revelam um cenário em que as orientações de saúde, ainda que corretas e fundamentadas, não conseguem competir com a atratividade do material disponível nas redes sociais, que frequentemente normaliza o uso irregular de cigarros eletrônicos. Segundo Eleanor Bray, outra pesquisadora da UEA, é essencial que as mensagens de saúde pública sejam adaptadas às plataformas que os jovens utilizam. “Para proteger essa faixa etária, precisamos garantir que as informações online sejam não apenas corretas, mas também acessíveis e relevantes ao cotidiano deles”, conclui.

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