O governador de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, com 76 anos e aliado de longa data do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, um dos maiores expoentes da política mexicana contemporânea, fez um anúncio em vídeo à meia-noite, negando veementemente as acusações de que teria protegido o Cartel de Sinaloa em troca de apoio político e corrupção financeira. Rocha afirmou que sua consciência está “limpa” e que ele não poderia trair sua população ou sua família. No entanto, decidiu se afastar temporariamente do cargo para se defender das alegações que considerou falsas e maliciosas, buscando ainda cooperar com a investigação em andamento.
Além dele, o prefeito de Culiacán, Juan de Dios Gámez Mendívil, também se comprometendo a se licenciar, reforçou a negação das acusações. Por sua vez, o senador Enrique Inzunza, outro membro do partido governista, optou por permanecer no Senado enquanto se defende.
Com a saída temporária de Rocha e Gámez Mendívil, ambos perderam a proteção legal que tinham como detentores de cargos públicos, o que significa que podem ser submetidos a detenções, conforme destacado por Arturo Zaldívar, ex-juiz da Suprema Corte. O Congresso local rapidamente nomeou uma governadora interina para assumir o cargo, enquanto Rocha ficará afastado por 30 dias.
Sheinbaum, tentando equilibrar a pressão sobre o governo mexicano e a soberania do país, afirmou que, caso apareçam evidências concretas ligando os indiciados ao crime organizado, os julgamentos ocorrerão no México, o que pode gerar tensão com as autoridades americanas. A Presidente enfatizou que a dignidade do povo mexicano deve ser respeitada e que sua administração não se submeterá a pressões externas. Essa postura é compreensível, considerando o cenário de violência e corrupção que a população de Sinaloa enfrenta diariamente.
Cidadãos locais, como Raquel Campos, comentaram que a acusação representa um passo em direção à responsabilização por parte dos governantes, embora reconheçam um contexto em que a violência se torna uma norma. A investigação ainda está em andamento, e, por enquanto, não haverá prisões dos acusados a pedido dos Estados Unidos, refletindo um impasse complicado entre justiça e política em um país que ainda luta contra a influência dos cartéis em sua governança.
