O caso tornou-se ainda mais complexo à medida que a Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo investigam a Trustee por seu envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro associado ao Banco Master e à Operação Carbono Oculto. A petição apresentada pela família Klabin destaca que o fundo Bergamo, gerido pela Trustee, faz parte de uma suposta rede destinada a proteger a Gafisa de credores, utilizando garantias fraudulentas sobre as cotas do fundo. Essas alegações sugerem o uso de alienações fiduciárias para tornar tais garantias impenhoráveis em processos judiciais.
Os advogados da herdeira apresentaram uma resposta da Trustee que reafirma a Gafisa como a única titular do fundo Bergamo. Este detalhe emergiu durante um processo em que a Polo Capital buscava recuperar uma dívida de quase R$ 25 milhões da construtora. A gestora, no entanto, resistiu a liberar os recursos do fundo, alegando que estes estavam vinculados ao Banco Master. O embate entre as partes levou a um acordo entre a Polo e a Gafisa em junho de 2024, mas não antes de uma narrativa de ocultação patrimonial se desenrolar.
A peça processual informa que a herdeira considera que a estrutura complexa foi idealizada pelo advogado Daniel Monteiro, que foi preso recentemente por sua conexão ao caso. Associado a um escritório que representa o Banco Master, Monteiro argumentou que o fundo estava fiduciariamente alienado ao banco, complicando ainda mais a recuperação da dívida.
Após um quase bienal litígio, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu favoravelmente à herdeira, estabelecendo que 5% do faturamento da Gafisa seria penhorado até alcançar R$ 1,3 milhão, quantia correspondente ao débito em questão.
A Trustee, por sua vez, defendeu sua atuação em declarações públicas, enfatizando que segue rigorosamente as normas legislativas e regulatórias do mercado financeiro, comprometendo-se com as melhores práticas de compliance e gestão de riscos.







