Açúcar: Novo Vilão da Pressão Alta, Rivalizando com o Sal na Saúde Cardiovascular. Médicos Alertam para Impactos Negativos do Consumo Exagerado.

Durante décadas, o sal foi amplamente considerado o principal responsável pelo aumento da pressão arterial, levando a uma pressão crescente na redução do consumo de sódio na alimentação. Embora essa recomendação permaneça importante, um novo olhar sobre a saúde cardiovascular traz à tona um outro responsável menos destacado: o açúcar.

Estudos recentes indicam que os açúcares adicionados, em especial a frutose, podem exacerbar os níveis de pressão arterial de maneira semelhante ao sal. O cardiologista Marcelo Bergamo destaca que o impacto do açúcar sobre o sistema cardiovascular tem sido subestimado, enfatizando que a elevação da pressão arterial não é uma questão exclusiva da quantidade de sal consumida.

A relação entre o açúcar e a pressão alta ocorre através de diversos mecanismos no organismo. O consumo excessivo de açúcar provoca um aumento na produção de insulina, que ativa o sistema nervoso simpático, levando à retenção de sódio pelos rins e prejudicando a função do endotélio, um tecido essencial para a saúde dos vasos sanguíneos. Essa dinâmica se torna ainda mais preocupante em pessoas com sobrepeso ou resistência à insulina, que enfrentam um risco aumentado de hipertensão. Bergamo menciona que alguns estudos associaram o consumo elevado de açúcar à hipertensão em níveis que podem rivalizar ou até superar os efeitos do excesso de sódio.

Na prática, recomenda-se que as mulheres não consumam mais do que 25 gramas de açúcar adicionado por dia e os homens, 36 gramas. Contudo, a tendência é que quanto menos açúcar, melhor. É importante também ressaltar que os açúcares naturais das frutas não contam nesse limite, já que vêm acompanhados de fibras que diminuem seu impacto negativo.

Um dos desafios contemporâneos é a presença oculta do açúcar na alimentação. Ele aparece disfarçado em uma série de produtos industrializados, como molhos prontos, pães e iogurtes adoçados, frequentemente com nomes como frutose e dextrose. Para combater esse problema, Bergamo sugere uma abordagem em três frentes: ler rótulos, evitar alimentos ultraprocessados e reeducar o paladar, tornando gradualmente as preparações caseiras menos açucaradas.

Por fim, embora o sal continue sendo um vilão na alimentação, a combinação do açúcar com o sódio potencializa os efeitos nocivos sobre a pressão arterial. A inflamação e a resistência à insulina são fenômenos que se agravam mutuamente, tornando imprescindível adotar uma visão holística na gestão da hipertensão. O controle eficaz da pressão arterial requer atenção não só ao sal, mas também ao açúcar, para garantir uma melhor saúde cardiovascular.

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