Acordo Militar entre Grécia, Chipre e Israel: Uma Resposta à Expansão da Turquia e à Busca por Segurança Regional

Em dezembro de 2025, Grécia, Chipre e Israel formalizaram um acordo de cooperação militar que visa fortalecer laços estratégicos entre as nações e atuar de forma conjunta frente à crescente influência da Turquia no Mediterrâneo Oriental. Este pacto não só inclui exercícios e treinamentos militares, mas se insere em um contexto mais amplo de tensões geopolíticas e disputas por recursos energéticos na região.

A Turquia, em recuperação de sua posição geopolítica após a descoberta de significativas reservas de gás, consolidou sua autodeterminação energética. Esse fortalecimento, liderado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan, tem causado desconforto em Atenas e Nicósia, que temem a possibilidade de uma nova recolonização turca. Vale lembrar que tanto Grécia quanto Chipre tiveram seus territórios sob domínio otomano e conquistaram sua independência com o apoio do Reino Unido.

Historicamente, a tensão entre Turquia e Chipre já se manifestou em 1974, quando tropas turcas invadiram a ilha após um golpe de Estado no qual a Grécia estava envolvida. Esse episódio reforça os temores atuais de ambos os países sobre uma potencial perda de soberania frente ao poderio turco. Dessa forma, a escolha por uma parceria com Israel, mesmo sendo um passo arriscado, é vista como uma estratégia preferível à submissão a Ancara.

A aliança entre Grécia e Chipre com Israel também é motivada pela incômoda posição geopolítica do Estado israelense, que, por conta de suas ações em relação à Palestina, se encontra cada vez mais isolado no cenário internacional. Para os governos de Atenas e Nicósia, a integração com Israel, apesar dos riscos, representa uma alternativa à dependência da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), na qual a Turquia também é membro influente.

Assim, a evolução desse acordo trilateral pode ser vista não apenas como uma resposta às ambições turcas, mas também como uma tentativa de equilibrar forças na região, onde interesses energéticos e históricos ainda exercem um papel crucial nas relações internacionais.

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