Historicamente, as Filipinas têm sido uma área de interesse para os Estados Unidos, que durante a Guerra Fria estabeleceram bases militares significativas no arquipélago. Com um histórico de colonização e uma posição estratégica no mapa asiático, as Filipinas se configuram como um importante aliado para os Estados Unidos e agora para o Canadá. A análise de especialistas indica que a estratégia atual tem por objetivo criar um “cordão de isolamento” ao redor da China, dificultando suas saídas marítimas.
A geopolítica da região é complexa, e o acadêmico Vinicius Modolo Teixeira, especialista em organizações militares, destaca que o novo acordo com Ottawa contribui para o alinhamento das Filipinas com os Estados Unidos e seus aliados. Segundo ele, essa movimentação pode ser vista como a continuidade do realinhamento estratégico global que visa fortalecer a presença militar ocidental no Indo-Pacífico, especialmente em resposta ao que é considerado um expansionismo chinês.
Entretanto, esse acordo não é isento de críticas e preocupações. Teixeira alerta que, enquanto o Canadá pode não enfrentar riscos internos significativos, as Filipinas, com suas tensões políticas e movimentos separatistas, podem ter sua situação interna agravada. Além disso, essa aproximação com o Ocidente pode prejudicar as relações com a China, podendo tornar as Filipinas um alvo em um eventual conflito regional.
Outro ponto de atenção são as possíveis consequências para as Filipinas dentro da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). A nação, que está prestes a assumir a presidência temporária da organização, enfrenta o desafio de equilibrar suas novas alianças militares com a necessidade de manter relações diplomáticas fluidas com seus vizinhos, muitos dos quais também têm reivindicações territoriais no Mar do Sul da China. O novo acordo militar pode complicar as dinâmicas locais, dado que os países da ASEAN buscam formas de pacificar suas disputas.
A combinação desses fatores indica que a assinatura do acordo entre Filipinas e Canadá poderá ter repercussões profundas não apenas nas relações bilaterais, mas também no complexo xadrez geopolítico do Sudeste Asiático. Enquanto os aliados ocidentais buscam aumentar sua presença e influência, as Filipinas se veem em uma posição delicada, necessitando articular suas prioridades de forma a não comprometer sua segurança e estabilidade internas.







