Durante sua campanha e após sua eleição, Trump fez diversas promessas relacionadas a aumentar tarifas comerciais, inclusive contra parceiros comerciais próximos como México, Canadá e os países do Brics, incluindo o Brasil. Sua postura protecionista e agressiva em relação ao comércio internacional fez com que tanto o Brasil quanto a União Europeia acelerassem as negociações em busca de um acordo benéfico para ambas as partes antes que Trump implementasse suas políticas comerciais.
A escolha de secretários sem experiência no setor público e alinhados com as ideias de Trump indica que o novo governo dos Estados Unidos seguirá uma agenda de maior isolacionismo comercial nos próximos anos, até as eleições legislativas de meio de mandato. Isso reforça a importância do acordo entre Mercosul e União Europeia, visto que os Estados Unidos são importantes destinos das exportações de ambos os blocos.
Para a Europa, a parceria com o Mercosul representa uma questão estratégica, não apenas para fortalecer sua posição em mercados disputados com a China, mas também para ter acesso a recursos essenciais na transição energética, como lítio, grafite e energia renovável. Do lado sul-americano, mudanças políticas recentes, como o foco no meio ambiente pelo presidente brasileiro Lula da Silva e a postura favorável ao acordo com a União Europeia pelo presidente argentino Javier Milei, foram determinantes para o avanço das negociações.
Em resumo, a convergência de interesses econômicos e geopolíticos levou à concretização desse acordo histórico entre Mercosul e União Europeia, em um contexto marcado pela iminente mudança de governo nos Estados Unidos e pela necessidade de fortalecer parcerias estratégicas frente a um cenário global instável.
