O professor de história contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Murilo Meihy, destaca que o acordo não possui um fundamento sólido para resolver os desafios enfrentados por ambos os países. Ele aponta que os líderes de Israel e dos EUA estão enfrentando baixa popularidade interna, o que pode estar influenciando suas decisões políticas. Meihy afirma que a essência do acordo é não permitir que ambos os estados se processem mutuamente por crimes de guerra, evidenciando a possibilidade de novas agressões no futuro.
O economista libanês Najad Khouri também expressou preocupações, especialmente em relação ao desarmamento do grupo Hezbollah, que se revelou como um ator poderoso no cenário político e militar libanês. Sem condições materiais e políticas adequadas, Khouri acredita que o Líbano continuará em um estado de limbo, sem uma resolução verdadeira para suas tensões.
Ademais, a questão da água e as ambições territoriais israelenses não podem ser ignoradas. O Líbano, que enfrenta uma crise de infraestrutura há anos, observa uma parte significativa de seu território sob controle israelense, o que levanta questões sobre a soberania do país. Meihy classifica o acordo como assimétrico, sugerindo que o Líbano está fazendo concessões em detrimento de sua própria soberania.
O Hezbollah, embora atuando muitas vezes em desacordo com o governo, se tornou um provedor de serviços básicos em áreas onde o Estado liberal não consegue chegar. A complexidade da situação se torna evidente na medida em que este grupo assume papéis que deveriam ser exclusivos do governo, dividindo ainda mais a sociedade libanesa e complicando ainda mais o cenário político.
Com a incerteza sobre o futuro do acordo e as tensões enraizadas, muitos se perguntam se haverá de fato um caminho viável para a paz entre essas duas nações. A expectativa parece ser de mais um capítulo de um conflito que, embora tente se resolver na mesa de negociações, apresenta barreiras históricas e emocionais profundas.
